O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, iniciou negociações para firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). O movimento ocorre simultaneamente ao fechamento da unidade Belvedere da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG), que era liderada por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como seu principal operador financeiro. Zettel foi detido novamente pela PF em uma operação que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos vinculados ao esquema do banco.
O advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, procurou as autoridades para informar que o cliente pretende colaborar totalmente com as investigações. Segundo fontes ligadas ao caso, o banqueiro se compromete a fornecer elementos cruciais e “não pretende poupar ninguém”.
A defesa busca agora uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que recentemente aceitou o pedido da PF para prorrogar o inquérito do caso Master por mais 60 dias, visando a análise de mais de 100 celulares apreendidos.
Queda do braço religioso e milícia privada
O fechamento do templo Belvedere no último domingo (15) sinaliza o colapso da rede de influência da família. A unidade, inaugurada em 2025 para atender a elite mineira, tinha como pastora Natalia Vorcaro, irmã de Daniel e esposa de Zettel. Embora a assessoria da Lagoinha não tenha detalhado os motivos da decisão, o encerramento das atividades ocorreu menos de duas semanas após a prisão de Zettel.
O banqueiro mantinha relações próximas com a família do pastor André Valadão, chegando a realizar festas luxuosas estimadas em R$ 20 milhões com a presença de herdeiros do líder religioso.
As investigações da PF revelaram que o esquema de Vorcaro ia além das fraudes financeiras de R$ 12 bilhões. O inquérito aponta a existência de um grupo denominado “A Turma”, uma milícia privada utilizada para usar violência contra adversários e jornalistas, invadir sistemas de investigação, chantagear e difamar.
Além disso, a apuração indica que servidores do Banco Central (BC) atuavam como consultores privados para o banqueiro, antecipando informações regulatórias em troca de propina. Com a possível delação, os investigadores esperam detalhar a participação do Banco de Brasília (BRB) e de seu diretor, Paulo Henrique Costa, em operações fraudulentas de injeção de capital.






Deixe seu comentário