Deputados da extrema direita intensificaram nesta quarta-feira (18) uma série de ataques coordenados para fazer confusão com a deputada federal Érika Hilton (Psol-SP), em uma manobra claramente identificada como cortina de fumaça neofascista. O objetivo é desviar a atenção pública da iminente delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que promete entregar expoentes do Centrão e da ala evangélica da Igreja da Lagoinha ligada à extrema direita brasileira, notadamente à família Bolsonaro e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Enquanto Hilton estreava na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher sob insultos transfóbicos e tumulto, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a deputada Dani Alonso (PL) recorria à prática racista de blackface para ridicularizar a parlamentar.
A tática de gerar caos em pautas identitárias para abafar escândalos financeiros é um método recorrente do grupo ligado ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Historicamente, o “calendário” de polêmicas de Ferreira coincide com momentos de asfixia judicial de seus aliados. Um exemplo emblemático ocorreu quando gravou um vídeo com a fake news da taxação do PIX e depois inventou uma caminhada para tentar ofuscar a prisão de Fabiano Zettel, pastor da Lagoinha e operador financeiro de Vorcaro.
“Não permitirei que transformem este espaço em um circo de intolerância para esconder crimes de colarinho branco”, afirmou Erika Hilton durante a sessão tumultuada na Câmara.
A farsa ética e o desespero do Centrão
O cerco a Vorcaro atinge o coração do financiamento da extrema direita mineira. A delação em curso deve detalhar como o Banco Master irrigou estruturas políticas e religiosas, utilizando a fé como escudo para lavagem de dinheiro e corrupção. Na Alesp, a reação contra Hilton escalou para o racismo recreativo.
“A prática de blackface é uma forma de racismo recreativo e não será tolerada nesta casa”, declararam parlamentares que protocolaram representação contra Dani Alonso. A manobra tenta impedir que a opinião pública foque no bloqueio bilionário de ativos e na possível cassação de mandatos de líderes evangélicos envolvidos no esquema.
Analistas apontam que o neofascismo brasileiro utiliza a agressão a minorias como ferramenta de gestão de crise. Ao pautar o debate com preconceito e barulho, os deputados do PL conseguem manter sua base engajada, sem ter de responder pela grossa corrupção em que estão envolvidos.
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