O BTG Pactual foi alvo, neste domingo (22), de um ataque hacker que desviou recursos via Pix e levou o banco a suspender temporariamente as operações do serviço. Segundo a instituição, o sistema detectou as irregularidades ainda pela manhã e adotou a interrupção como medida preventiva. Cerca de R$ 100 milhões teriam sido desviados inicialmente, embora grande parte do valor tenha sido recuperada.
Em nota, o BTG afirmou que não houve acesso a contas de clientes e que nenhum dado de correntista foi exposto. Até o momento, o Banco Central não havia se manifestado sobre o caso.
Suspeita, contenção e silêncio regulatório
O ataque expõe mais uma vez a vulnerabilidade do sistema de pagamentos instantâneos diante de crimes cibernéticos de grande escala. Embora o BTG tenha informado a recuperação de parte dos recursos, a interrupção do Pix mostra que a contenção foi necessária para evitar novos prejuízos enquanto a investigação avança.
A ausência de posição imediata do Banco Central também chama atenção. Em operações dessa natureza, a resposta regulatória costuma ser decisiva para estabelecer responsabilidades, mapear a origem do ataque e indicar se houve falha nos protocolos de segurança das instituições envolvidas.
Um problema recorrente no sistema financeiro
O caso se soma a outros ataques recentes no setor. Em 2024, o Banco Central identificou vazamento de chaves Pix do BTG, com exposição de dados cadastrais de mais de 8 mil registros. Em junho do ano passado, criminosos desviaram mais de R$ 800 milhões em ataque à C&M Software. Em setembro, outro ataque à Sinqia desviou cerca de R$ 710 milhões, afetando o HSBC e a Artta.
A repetição desses episódios mostra que a digitalização do sistema financeiro, vendida como sinônimo de eficiência, também amplia a superfície de risco. Quando falhas e invasões atingem bancos e prestadoras de serviço, a conta recai sobre clientes, instituições e sobre a confiança no próprio arranjo tecnológico que sustenta o Pix.






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