Celina Leão tomou posse como governadora do Distrito Federal em uma cerimônia que misturou religião, política e, claro, extrema direita. Mas o palco festivo não encobre a realidade que ela herda: um governo marcado por suspeitas graves de corrupção no caso Master, desgaste institucional e o rastro de um DF quebrado pela combinação explosiva entre BRB e Banco Master.
A posse, na CLDF, foi eivada de neofascistas, incluindo Michelle Bolsonaro, Damares Alves e Bia Kicis. No discurso, Celina repetiu o roteiro já conhecido da direita brasileira: ataque ao Judiciário, defesa dos golpistas do 8 de Janeiro e encenação religiosa para vestir de virtude um projeto político de extrema direita.
O problema é que ela não assume um governo neutro ou arrumado. Assume uma máquina pública já contaminada por escândalos, com o caso Master empurrando o Distrito Federal para o centro de uma crise que mistura possível corrupção, blindagem política e prejuízo bilionário. O arranjo entre BRB e Master virou símbolo de um modelo de gestão que flertou com as fraudes de um bilionário, alimentou suspeitas e deixou a conta para a população pagar.
Celina ainda tenta se descolar das investigações, dizendo não ter participado das decisões sobre o BRB. Mas isso não apaga o fato central: ela sobe a rampa no governo de um grupo que fez do banco público uma engrenagem de interesses políticos e financeiros, enquanto o DF acumulava problemas e a imagem da gestão se afundava.
Um governo da extrema direita
A nova governadora também fez questão de sinalizar lealdade ao campo bolsonarista, tratando presos do 8 de Janeiro como “inocentes” e se dirigindo a Michelle Bolsonaro com tom de devoção política. O recado foi claro: a prioridade não é reconstruir o DF, mas consolidar um bloco ideológico.
Um mandato que começa mal
Celina Leão herda um governo sob pressão e com credibilidade em frangalhos. A posse foi de cerimônia; a realidade, de crise. E o DF, que já vinha sendo golpeado por alianças ruins e suspeitas pesadas, entra agora numa nova etapa sob a mesma lógica que ajudou a quebrá-lo.






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