Flávio Bolsonaro continua até tenta posar de candidato presidencial respeitável. O problema é que o currículo político do senador não nasceu ontem: ele vem embalado pela velha rachadinha, atravessa a compra da mansão de R$ 6 milhões em Brasília financiada pelo BRB do bolsonarista Ibaneis Rocha e chega agora à suspeita de comandar um esquema de corrupção em hospitais do Rio durante o governo do pai. É uma biografia que pede prudência; no bolsonarismo, virou plataforma.
A nova acusação veio de Otoni de Paula, pastor da Assembleia de Deus Missão e Vida e deputado federal do MDB-RJ, em entrevista ao podcast Matinal, do site Amado Mundo.
“Toda a estrutura de poder e de indicação política, e as empresas que participariam de licitações, que ganhariam ou que perderiam… Tudo isso estava dentro do grupo, cujo cabeça é o senador Flávio Bolsonaro”, afirmou Otoni.
Segundo ele, Flávio não era apenas um nome político do clã: seria o centro nervoso da indicação de cargos e da distribuição de interesses em hospitais federais do Rio.
Otoni foi direto: “toda a estrutura de poder e de indicação política” passava pelo grupo cujo “cabeça é o senador Flávio Bolsonaro”. Não é pouca coisa. É a velha cena do bolsonarismo: gritar contra corrupção em público enquanto o subsolo da máquina trabalha em silêncio, roubando o que puder.
A moralidade de vitrine e o caixa dois de sempre
Flávio, que hoje aparece tecnicamente empatado com Lula em pesquisas, tenta vender estabilidade política. Mas a própria sombra do seu nome entrega outra coisa: fragilidade moral, para usar a expressão do próprio Otoni. E ela não vem sozinha. O milagre da quitação antecipada da casa de R$ 6 milhões completa o quadro. No bolsonarismo, até hipoteca parece ter sobrenaturalidade administrativa.
A direita ainda quer fingir surpresa
Otoni também defendeu que a direita se livre da família Bolsonaro e procure outros nomes, citando Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. É quase um pedido de socorro: sair do atoleiro antes que o país inteiro afunde junto.
E há mais. O deputado afirmou ter pedido intervenção federal no Rio, dizendo que a Assembleia Legislativa está “contaminada pelo esgoto e pela lama”. A metáfora é dura, mas o retrato é ainda mais cruel: um sistema político que se alimenta do mesmo lodo que finge combater.
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