Lula confirmou nesta terça-feira que Geraldo Alckmin continuará como vice na chapa presidencial de 2026. A declaração encerra a especulação sobre o destino do atual vice, que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para disputar a reeleição ao lado do presidente. Ao mesmo tempo, o governo entra numa rodada de substituições que pode tirar até 18 ministros da Esplanada.
A fala foi feita durante uma reunião ministerial descrita como de despedida, já no ritmo da desincompatibilização. Segundo Lula, ao menos 14 ministros já bateram o martelo sobre a saída, e outros quatro ainda devem formalizar a decisão. O movimento mostra que o governo já entrou no modo eleitoral, mesmo antes da campanha começar oficialmente.
“Ele [Alckmin] vai ter que deixar porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez, e ele vai deixar o MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços]”, afirmou Lula. “Eu acho que cada um de vocês tem um desejo, tem uma vocação, tem uma aspiração e que Deus abençoe que vocês cumpram essa vocação de vocês. Naquilo que eu puder ajudar, eu vou ajudar”.
Alckmin fica, o resto sai
Lula afirmou que Alckmin “vai ter que deixar” o cargo porque será novamente candidato a vice-presidente. A frase, dita em tom de confirmação definitiva, encerra a discussão que vinha circulando nos bastidores sobre possíveis caminhos alternativos para o vice. Havia quem cogitasse uma candidatura de Alckmin ao Senado ou ao governo de São Paulo, o que abriria espaço para rearranjos políticos na chapa. Isso, por ora, foi descartado.
O presidente também tentou dar um verniz de solenidade à debandada ministerial, dizendo que cada integrante do governo tem sua vocação e que faria o possível para ajudar quem estivesse saindo. A cena, porém, é a de sempre: a máquina pública ajustada para sobreviver à lógica eleitoral, enquanto a Esplanada vira ante-sala de campanha.
Centrão pressiona, governo se rearruma
Nos bastidores, a decisão de Lula também conversa com o novo tabuleiro partidário. O PSD lançou Ronaldo Caiado à Presidência, enquanto o MDB resolveu se declarar independente, mesmo ocupando cargos no governo. Ou seja: a aliança formal continua, mas a fidelidade política já opera com o freio de mão puxado.
Lula ainda confirmou Miriam Belchior na Casa Civil, numa tentativa de manter a estrutura de substituições sob controle. Na prática, o governo vai sendo reacomodado para atravessar a virada eleitoral sem perder musculatura.






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