A extrema direita adora vestir a fantasia de defensora da família, dos valores cristãos e da moral pública. Mas basta puxar um fio para o figurino desabar. O áudio divulgado sobre o deputado estadual Guto Zacarias (Missão), ligado ao MBL, escancara justamente isso: o mesmo campo político que faz escândalo em público contra a autonomia das mulheres age nos bastidores como controlador do corpo feminino, sem qualquer pudor.
Na gravação, o parlamentar orienta a então companheira sobre a interrupção da gestação, descreve o procedimento, indica clínica e insiste que “não tem motivos para não fazer”. O caso já havia aparecido em denúncia do Ministério Público de São Paulo, que investiga o deputado por violência psicológica contra a ex-companheira. Segundo a acusação, ele teria usado manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados para pressioná-la.
Ouça o áudio
A denúncia levou a Bancada Feminista do PSOL a pedir a cassação do mandato de Guto Zacarias no Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo. O caso também tramita na Justiça sob segredo, e o parlamentar já foi tornado réu. A defesa tenta empurrar tudo para a vala comum da perseguição política, aquela explicação pronta que a direita sempre saca quando é flagrada fazendo exatamente o que condena no discurso.
O áudio não expõe um deslize isolado. Expõe uma lógica. E a lógica é velha: tratar a mulher como subalterna, subjulgá-la ou até ameaçar estuprá-la.






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