O julgamento por corrupção do primeiro-ministro neofascista de Israel, Benjamin Netanyahu, deve ser retomado nesta semana, após a suspensão do estado de emergência e a volta do sistema judicial ao funcionamento. A retomada ocorre depois do cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, que permitiu a reabertura dos tribunais israelenses.
Netanyahu responde desde 2019 a acusações de suborno, fraude e quebra de confiança. O processo começou em 2020 e foi sucessivamente interrompido, em especial pela guerra contra Gaza, iniciada em outubro de 2023, e, mais recentemente, pela nova escalada militar contra o Irã, que foi instigada por ele mesmo.
Guerra como escudo político
A retomada do julgamento expõe a relação direta entre a permanência de Netanyahu no poder e a política de guerra permanente. O premier israelense e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançaram uma ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro, o que levou Tel Aviv a decretar estado de emergência e travar novamente o processo judicial.
Críticos de Netanyahu afirmam que a escalada militar serviu também para adiar o avanço do caso na Justiça. O governo israelense, por sua vez, tenta sustentar que a rotina de comparecimento ao tribunal atrapalha as funções do premiê. Trump e Netanyahu chegaram a pedir ao presidente israelense, Isaac Herzog, que concedesse perdão ao chefe de governo.
Trump também é acusado, nos EUA, de ter levado o país a guerra para encobrir seu envolvimento do Escândalo Epstein, em que é implicado em crimes sexuais contra crianças.
Pressão política aumenta
O processo tem peso eleitoral e político. As acusações desgastam Netanyahu diante de uma sociedade já dividida pelos custos humanos e políticos da guerra. Além disso, a coalizão que o sustenta inclui nomes da extrema direita religiosa, como Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, que defendem a continuidade da guerra e a expansão da violência contra palestinos.
A volta do tribunal não encerra a crise política de Netanyahu, mas recoloca o premiê diante de suas acusações no momento em que sua autoridade segue abalada. A guerra serviu como cortina de fumaça; agora, com a emergência suspensa, o processo volta ao centro da cena.






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