Sob a batuta amalucada do baby boy da direita, deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), os neofascistas repetiram a velha chantagem de sempre: só aceitam reduzir a exploração do trabalhador, dando fim à escala 6/1, se o Estado compensar o empresariado, botando dinheiro no bolso dos patrões. A proposta foi defendida por Nikolas com as palavras atenuantes habituais: “alivio para o setor produtivo”, que é como ele defende o empresariado contra a massa de trabalhadores.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, até admitiu, de forma pusilânime, que pode negociar um tempo de transição até que o patronato enfim dê o dia de folga a mais que o Governo defende para os trabalhadores. “Nunca se votou matérias polêmicas sem que os dois lados não cedessem. Estamos abertos a discutir”, falou. “Transição é possível, mas desoneração acho que não tem mais espaço”, completou.
Disputa sobre a jornada
A proposta em debate prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A pressão, como sempre, vem do lado de quem trata direito trabalhista como custo a ser abatido. No Congresso, setores empresariais tentam empurrar a conta para o Estado, como se menos exploração do trabalho devesse vir acompanhada de mais subsídio público ao lucro privado.
O governo protocolou um projeto com regime de urgência constitucional, após articulação entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A estratégia busca acelerar a tramitação, mas a Câmara prefere apostar numa proposta de emenda à Constituição, mais lenta e politicamente mais controlável pelos parlamentares.
Velho truque, nova embalagem
Nos bastidores, a leitura é clara: o empresariado só aceita dá a folga se o Governo pagar por ela. É o mesmo script de sempre. Quando o assunto é direito do trabalhador, a classe patronal pede “transição”; quando o assunto é lucro, exige pressa e proteção.
A PEC de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP) já tramita na Comissão de Constituição e Justiça e pode avançar nas próximas semanas. Se a Câmara fizer sua parte, o tema pode ganhar força ainda em maio ou no início de junho. O risco é conhecido: a pauta trabalhista virar moeda de troca num jogo em que o trabalhador entra sempre com menos poder de barganha.






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