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Foto: Freepik com FLIA (Imagem gerada por IA)
ECONOMIA

Empresas ferram IR de trabalhadores na malha fina

Fim da Dirf pune assalariados com burocracia estatal

Milhares de trabalhadores brasileiros caíram na malha fina do Imposto de Renda 2026 por erros de empresas no envio de dados à Receita Federal. O problema surgiu com a extinção da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), substituída por e-Social e EFD-Reinf. Até 17 de abril, 13 milhões de declarações foram processadas, com retenções 2% maiores que em 2025 – cerca de 260 mil contribuintes extras pendurados. O prazo vai até 29 de maio, com meta de 44 milhões de envios.

A Receita orienta: use o informe de rendimentos do empregador. Se corrigido, retifique a declaração. Mas o caldeirão ferve nos novos sistemas. O e-Social e a EFD-Reinf centralizam dados trabalhistas, previdenciários e fiscais. Detalhados demais para contadores apressados, geram discrepâncias entre o que o patrão informa ao fisco e o que entrega ao empregado.

Décimo terceiro: bomba-relógio tributária

Empresas tratam o 13º como rendimento tributável comum, quando é exclusivo na fonte. Outra furada: registrar salário pelo mês trabalhado, ignorando a data de pagamento real, que a Receita prioriza. Não é dolo, admite o órgão: falhas de interpretação. Traduzindo: corporações priorizam lucros, negligenciam compliance, e o trabalhador arcá com o prejuízo.

Esse fiasco expõe o viés de classe do sistema tributário. O assalariado, já sangrado pelo IR regressivo, perde restituições e tempo em retificadoras. Grandes firmas? Multas irrisórias. A modernização prometida centraliza o caos, beneficiando quem tem assessoria fiscal de luxo.

Burocracia esmaga os de baixo

Com 260 mil extras na malha fina, o aumento de 2% grita incompetência sistêmica. Empresas cortam custos em RH digital, transferem o ônus pros de colarinho azul. A Receita, fiel à lei, pune os vulneráveis. Cadê a auditoria nos tubarões?

No Brasil das desigualdades, o IR já esmaga os pobres. Essa novela reforça: o Estado serve ao capital. Trabalhadores penam, elites navegam. Hora de questionar quem fiscaliza quem.

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