O mercado de trabalho brasileiro manteve trajetória favorável no primeiro trimestre de 2026, com desemprego em queda, alta da ocupação e avanço dos rendimentos reais. Segundo a Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a taxa de desocupação ficou em 6,2% em fevereiro, abaixo dos 7,1% registrados no mesmo mês de 2025.
O estudo, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que o país chegou a 103,4 milhões de pessoas ocupadas em fevereiro, maior nível da série histórica. Na leitura dessazonalizada, a desocupação ficou estável em 5,6%, reforçando a sequência de meses com desemprego abaixo de 6%.
Emprego formal sustenta o resultado
O avanço do emprego ocorreu mesmo com a perda de fôlego da atividade econômica. Ainda assim, o ritmo de crescimento da população ocupada segue positivo. Na comparação de março de 2025 a fevereiro de 2026, a força de trabalho avançou, em média, 0,7%, enquanto a população ocupada cresceu 1,7% em 12 meses.
O boletim mostra que a maior parte da expansão vem do emprego formal. Nos últimos 12 meses, a ocupação formal cresceu em média 3,6%, enquanto a informal avançou apenas 0,5%. Com isso, a taxa de formalidade subiu de 61,2% para 62,5% em dois anos.
Os números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) confirmam essa tendência, embora em ritmo menor. Em fevereiro, foram criados 255,3 mil postos líquidos de trabalho, abaixo dos 440,4 mil do mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, o setor privado gerou 1,05 milhão de vagas com carteira assinada, queda de 46% em relação ao período anterior.
Renda real também avança
A melhora não aparece apenas no volume de vagas. Os rendimentos reais seguem em alta, ainda que em ritmo mais moderado. No último trimestre, os salários médios habitual e efetivamente recebidos cresceram 5,3% e 4,3%, respectivamente.
Isso elevou a massa salarial real, que avançou 6,9% no rendimento habitual e 5,9% no efetivo. Na prática, o mercado segue sustentando o consumo das famílias, mesmo com sinais de desaceleração na economia.
Para o Ipea, a perspectiva para o restante de 2026 é de continuidade do bom comportamento do mercado de trabalho, mas em ritmo mais lento. A avaliação do instituto é que ainda há espaço para manter taxas de desemprego em níveis historicamente baixos, mesmo com crescimento do PIB estimado em torno de 1,8%.






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