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Constituição pacifista
Manifestante segura o cartaz: Sem guerra. Takaichi deve renunciar. Foto: Jia Haocheng/Xinhua
GEOPOLÍTICA

Tóquio protesta contra volta do Japão às armas

Milhares foram ao parlamento defender o Artigo 9

Milhares de japoneses foram às ruas em Tóquio para protestar contra a tentativa do governo de revisar a Constituição pacifista do país e enfraquecer o Artigo 9, que proíbe o Japão de manter forças armadas com capacidade bélica. A mobilização ocorreu diante do prédio do Parlamento e reuniu, segundo os organizadores, cerca de 36 mil pessoas.

A Constituição japonesa foi adotada em 1947, no pós-Segunda Guerra Mundial, depois da derrota do país no conflito. O texto foi concebido justamente para impedir o retorno do militarismo que levou o Japão a integrar o bloco fascista ao lado da Alemanha nazista e da Itália de Mussolini. Por isso, o Artigo 9 virou símbolo da ruptura com o passado de guerra e ocupação militar na Ásia.

Agora, porém, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi tenta abrir caminho para mudar esse pacto histórico. A pressão para revisar a Carta cresce junto com o avanço da direita japonesa, que defende um país mais alinhado à lógica do rearmamento e menos preso às limitações impostas após a guerra.

Povo rejeita volta ao militarismo

Os manifestantes carregavam faixas com dizeres como “Não à guerra”, “Não prejudiquem o Artigo 9” e “Takaichi renuncie”. A mensagem era direta: a sociedade japonesa não quer ver o país repetir o caminho que o levou à destruição no século passado.

“Não quero que eles sejam enviados para a guerra um dia”, disse uma das participantes, identificada como Izumi, ao afirmar que tem sobrinhos e sobrinhas e não aceita a volta de uma política militarista. Outra manifestante lembrou que o Japão causou profundo sofrimento em toda a Ásia durante a guerra e que a Constituição pacifista nasceu dessa experiência histórica.

Governo pressiona por revisão

Takaichi, sustentada pela supermaioria de seu Partido Liberal Democrático na Câmara Baixa, vem insistindo na revisão constitucional apesar da oposição popular. Em discurso recente, ela afirmou que “chegou a hora” de reformar a Constituição e sinalizou que pretende levar uma proposta de emenda adiante.

A ofensiva gera preocupação porque não se trata apenas de um debate jurídico. O que está em jogo é a tentativa de recolocar o Japão na trilha do rearmamento, num cenário internacional em que o renascimento do fascismo e das forças ultranacionalistas volta a ameaçar conquistas históricas dos povos.

A resistência nas ruas mostra que há memória. E ela é incômoda para quem quer apagar o passado para justificar o retorno das armas.

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