PHC se prepara para entregar o ex-governador bolsonarista do DF Ibaneis Rocha — e o movimento não é apenas jurídico, é político, devastador e inevitável no contexto do maior escândalo financeiro do Distrito Federal. A troca repentina de advogados pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, após sua prisão na quinta-feira (16), marca a virada decisiva rumo à delação premiada que pode mandar Ibaneis para a cadeia.
Paulo Henrique Costa dispensou Cléber Lopes — que também defende Ibaneis — para evitar qualquer aparência de conflito de interesses. A defesa agora passa para o criminalista Davi Tangerino, especialista em delações complexas. A movimentação revela que Costa resolveu disputar protagonismo com Daniel Vorcaro, dono do Master, que já tentou negociar seu próprio acordo com Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) após ser preso em março.
Disputa por quem delata primeiro
Fontes ligadas à investigação afirmam que Costa está correndo contra o relógio. Se Vorcaro — apontado como operador central do esquema — fechar antes, dificilmente sobrará espaço para que Costa ofereça novidades relevantes à PF e à PGR. A lógica das delações é cruel: quem chega depois recebe menos benefícios, se receber algum.
Ambos são peças-chave nas fraudes das carteiras de crédito vendidas ao BRB e na tentativa de compra do Master pelo banco estatal. Num jogo de sobrevivência, cada um tenta empurrar o outro para a linha de tiro.
Propinas milionárias em imóveis de luxo
A PF acusa Costa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o inquérito, ele recebeu seis imóveis de altíssimo padrão avaliados em R$ 146 milhões, quatro em São Paulo e dois em Brasília. Desse total, R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos — até que Vorcaro descobriu a investigação sigilosa do Ministério Público Federal (MPF) e abortou parte do repasse.
Costa já tentou entabular uma negociação para delatar antes. Mas a coisa parou quando ele soube, por delegados da PF, que teria que entregar alguém acima dele na cadeia de comando. Até então, os planos do ex-presidente era citar um por um os diretores, gerentes e supervisores do BRB que o ajudaram no grande esquema com o Master. Mas a PF deu de ombros. Não estava interessada na raia miúda que só cumpria ordens. Queria saber quem as deu.
Nas palavras de André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Henrique Costa atuava como “um verdadeiro mandatário” de Vorcaro dentro do BRB. Ele escolhia imóveis conforme preferências pessoais e familiares, validava as aquisições e pressionava por agilidade. Em mensagens interceptadas, chegou a demonstrar preocupação com a ausência de documentação formal do esquema.
Dívida com o próprio BRB
Enquanto recebia apartamentos de alto luxo, Costa devia R$ 1,9 milhão ao banco que presidia. O passivo, cobrado judicialmente, soma R$ 800 mil em empréstimos na folha, R$ 978 mil em consignados e R$ 172 mil em cartão e cheque especial.
O movimento para delatar Ibaneis ameaça abrir a parte mais sensível do escândalo: a ligação política entre o ex-governador e a arquitetura financeira que levou o BRB à beira da insolvência e literalmente quebrou o Distrito Federal.






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