A arrogância do governo bolsonarista do Distrito Federal (GDF) finalmente bateu no muro da realidade — ou das nascentes que eles juravam não existir. Nesta segunda-feira (27), o Executivo enviou à Câmara Legislativa (CLDF) um projeto para retirar a Gleba A da Serrinha do Paranoá da lista de bens que seriam usados para tapar o buraco sem fundo do Banco de Brasília (BRB). O recuo, assinado pela governadora (também bolsonarista) Celina Leão (PP), tenta emplacar a desculpa esfarrapada de “erro técnico” para esconder uma derrota política vergonhosa diante da mobilização popular.
Veja 👉 AQUI nossa página com todas as notícias sobre o BRB no Caso Master.
Ibaneis Rocha, o mentor da ideia, passou meses dando xilique contra ambientalistas, afirmando que a área não tinha relevância hídrica. Agora, o documento da Secretaria de Economia admite que os imóveis possuem “restrições que inviabilizam seu uso”.
Traduzindo do juridiquês: a mentira caiu. A Serrinha, com seus 716 hectares e dezenas de nascentes essenciais para a água de Brasília, quase foi sacrificada para salvar um banco quebrado por negócios criminosos com o Banco Master — transações que geraram um prejuízo de R$ 20 bilhões e que, curiosamente, renderam honorários ao escritório de advocacia da família do ex-governador.
O balcão de negócios imobiliários
O Projeto de Lei nº 2295/2026 altera a Lei nº 7.845/2026, aquela criada às pressas para injetar R$ 6,6 bilhões no BRB. Além da Serrinha, foi retirado um terreno no SIA usado pela saúde pública. A estratégia era transformar patrimônio do povo em ativo financeiro para maquiar o balanço de uma instituição que o BRB até hoje não sabe o tamanho do rombo causado pelos “negócios” determinados pelo próprio Ibaneis.
Enquanto o governador brigava com quem defendia o Cerrado, seu escritório recebia do Master via Caio de Carvalho, seu filho. O “erro técnico” alegado agora é, na verdade, o medo da Justiça e das urnas. O movimento Preserva Serrinha provou que a recarga hídrica vale mais que a securitização de ativos podres.
A análise jurídica diz que a mudança não gera impacto financeiro, mas o impacto moral na imagem de Ibaneis é definitivo: tentaram vender a água de Brasília para pagar a conta de um banquete que o trabalhador não foi convidado.






Deixe seu comentário