Eduardo Bolsonaro nem esconde mais que não tem nenhum compromisso com o Brasil. Agora restou clara a maior presepada que o “Zero Três” arrumou no exterior: ele forjou a fake news sobre o PIX e a plantou dentro do gabinete de Donald Trump, que, enganado, a usou para sancionar o Brasil. A conclusão é inevitável depois das declarações de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), que desmentiu qualquer conflito entre o PIX e as bandeiras de cartão de crédito.
O ex-deputado auto exilado difundiu nos ouvidos de técnicos da equipe de Jamieson Greer, representante comercial americano, a ideia delirante de que o PIX estaria “quebrando” Visa e Mastercard, gigantes estado-unidenses do setor de pagamentos, e que isso explicaria supostas retaliações dos EUA contra o Brasil. Não se tratava de ignorância: era um cálculo político idiota, absurdo e tresloucado. Ele fustigava uma guerra comercial para forçar a opinião pública a tomar partido dos Bolsonaros que, alinhados aos EUA, teriam como tirar o Brasil das cordas desse ringue geopolítico.
Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo desmontou a farsa e pôs os pingos nos is:
“O PIX não concorre com os cartões; são instrumentos diferentes. O PIX incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o Pix e o cartão de crédito, mas a gente observa que não. Que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”.
O presidente do BC explicou que o sistema brasileiro é uma infraestrutura pública, usada por todos os participantes do mercado, inclusive empresas dos Estados Unidos. Em nenhum momento o PIX ameaçou o faturamento de Visa e Mastercard, que continuam dominando o crédito e o parcelado — áreas onde o PIX nem sequer atua.
Em bom português: é simplesmente mentira o argumento usado pelo Governo Trump para abrir procedimentos de comércio exterior contra o Brasil.
Trump comprou a fake e respondeu como um neofascista desinformado
O problema é que o governo Trump opera no mesmo nível de desinformação que seus aliados brasileiros. Assessores da Casa Branca receberam a narrativa criada por Eduardo e reproduziram o delírio estratégico: trataram o PIX como “ameaça geopolítica” e incluíram o Brasil em pacotes de sanções econômicas.
A retaliação, que deveria parecer uma reação “técnica” dos EUA, na verdade nasceu de um grotesco mal-entendido plantado intencionalmente pelo bolsonarismo. Ao agir para provocar o ataque de uma potência estrangeira contra seu próprio país, Eduardo Bolsonaro cruzou a linha entre oposição e sabotagem.
Fake news como instrumento de política externa
O episódio revela algo maior: o bolsonarismo transformou a mentira em ferramenta de política externa. Criar pânico, destruir instituições e manipular a opinião pública são métodos, não acidentes. A farsa sobre o PIX expõe o quanto o projeto da extrema direita brasileira é incompatível com a soberania nacional.






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