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lobby das big techs
O lobby das big techs tenta barrar regras de transparência online decretadas na semana passada pelo presidente Lula. Ilustração: FLIA
CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Apple, Google e Meta vão ao STF contra Lula

Lobby teme perder lucro fácil com internet sem fiscalização

A Câmara Brasileira da Economia Digital, que atua como porta‑voz no Brasil das chamadas big techs (Apple, Google, Meta), publicou nesta segunda-feira (25) uma carta pública contra os decretos do presidente Lula que regulamentam o Marco Civil da Internet. O documento expõe uma ofensiva contra a fiscalização das plataformas, a moderação de abusos e a exigência de transparência mínima das empresas, cujo modelo de negócios depende de que a punição aos crimes cometidos pelos usuários não recaia sobre elas.

Os decretos assinados por Lula finalmente apertam o cerco sobre as plataformas digitais e obrigam as empresas a assumir responsabilidade pelo que colocam em circulação — de conteúdo ilegal à engenharia de manipulação algorítmica. O ataque da camara‑e.net deixa evidente quem se incomoda: grandes conglomerados que lucram justamente porque passaram mais de uma década operando sem fiscalização real.

Na carta, que serve para explicar a ação movida contra os decretos no Supremo Tribunal Federal, o grupo tenta vender a narrativa de que há risco de “retirada excessiva de conteúdo”, “encarecimento da conformidade”, “vulnerabilidade dos pequenos provedores” e “imposição uniforme de obrigações”.

Mas o truque é velho. As big techs usam os “pequenos provedores” como escudo para esconder o que realmente querem: manter um modelo de negócios baseado na ausência de regras, na exploração dos dados dos usuários e na total falta de prestação de contas.

Lobby tenta esvaziar os decretos e preservar modelo predatório

A carta diz confiar que recursos analisados pelo STF “abram espaço para o devido aprimoramento da decisão”, sugerindo que a regulação atual seria precipitada. O argumento ecoa campanhas internacionais das big techs contra regulações mais firmes — como ocorreu na União Europeia e na Austrália — em que plataformas tentaram atrasar ou diluir regras que protegem usuários, jornalistas e instituições públicas.

O problema central revelado pela nota é a tentativa do setor de manter intocado o modelo de negócios baseado em coleta massiva de dados, publicidade direcionada e ausência de responsabilidade sobre os impactos de seus sistemas. O decreto, ao exigir padrões mais claros de moderação, mecanismos de reporte, auditoria de riscos e cuidados proporcionais ao porte das empresas, toca exatamente no núcleo econômico que essas empresas buscam preservar.

Decreto de Lula corrige assimetrias e enfrenta poder das plataformas

O governo Lula age para equilibrar a relação entre plataformas e sociedade, impondo parâmetros mínimos de segurança digital, transparência e responsabilidade. Em vez de “ameaça à inovação”, como diz o lobby, os decretos estruturam um ambiente mais seguro para usuários, jornalistas, crianças e grupos vulneráveis — hoje expostos à desinformação industrial e ao assédio automatizado.

A regulação responde a uma urgência democrática. Ao contrário das alegações da camara‑e.net, o decreto não sufoca o setor digital: delimita um poder privado que cresceu sem freios e cujo lucro depende, justamente, da ausência de controle público. O Estado brasileiro sinaliza que plataformas globais também devem prestar contas.

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