O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, questionou publicamente neste domingo (14) a real capacidade — ou vontade — dos Estados Unidos (EUA) em honrar compromissos internacionais. A declaração ocorreu após um ataque aéreo israelense atingir o bairro de Dahiyeh, nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, matando ao menos três pessoas e ferindo outras seis.
O bombardeio sionista acontece em um momento crítico, na iminência da assinatura de um acordo provisório de paz entre Washington e Teerã, mediado pelo Paquistão.
“Os Estados Unidos ou não têm vontade para cumprir seus compromissos ou não têm capacidade para isso”, escreveu Ghalibaf na rede social X.
O negociador iraniano foi enfático ao classificar a dinâmica entre a Casa Branca e o governo de Israel como um teatro diplomático: “Está ultrapassado”, afirmou sobre o jogo de “polícia má e polícia boa”.
O teatro de Trump e a agressão sionista
Mesmo diante da agressão que vitimou civis sob escombros no Líbano, o presidente neofascista, Donald Trump, tentou manter as aparências de mediador. Em sua rede social, Truth Social, Trump criticou o momento da ofensiva, mas não deixou de passar pano para o aliado histórico.
“Israel tem o direito de se defender contra ameaças, mas o ataque ao qual estava respondendo foi muito pequeno e sem relevância”, declarou o republicano, minimizando a provocação israelense que ameaça o processo de paz.
Enquanto Washington tenta posar de pacificador, o histórico de exigências imperialistas continua no centro da mesa. No sábado (13), Trump chegou a afirmar que o acordo incluiria o controle e a destruição do urânio iraniano por forças estadunidenses. “Entraremos e pegaremos o pó nuclear (…) e o diluiremos e destruiremos, seja no Irã ou nos Estados Unidos”, prometeu, expondo a face intervencionista que Teerã observa com desconfiança.
Impasse geopolítico e resistência
A Defesa Civil do Líbano confirmou que os corpos das vítimas foram recuperados sob os escombros de um prédio residencial. Do outro lado, os militares de Israel alegam que o alvo era o Hezbollah, justificando a matança com supostos ataques de drones que sequer provocaram vítimas em território ocupado. Para o Irã, a inclusão do Líbano no cessar-fogo é uma condição inegociável, o que torna o ataque de hoje uma mensagem clara de Israel contra qualquer estabilidade regional que não passe pela sua hegemonia militar.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia anunciado na sexta-feira (12) que as partes alcançaram um “texto final”. Contudo, a ofensiva em Beirute reforça a tese de que, enquanto os EUA controlam a caneta, Israel controla o gatilho, servindo aos interesses do capital e da manutenção do conflito no Oriente Médio.





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