EUA fingem mediar paz enquanto Israel bombardeia

Jogo de 'polícia boa' dos EUA não engana mais o Irã

Por Redação com Brasil de Fato
Acordo de paz Irã
Pessoas se reúnem no local do ataque aéreo israelense que atingiu um prédio nos subúrbios do sul de Beirute em 14 de junho. Foto: Ibrahim Amro/AFP

O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, questionou publicamente neste domingo (14) a real capacidade — ou vontade — dos Estados Unidos (EUA) em honrar compromissos internacionais. A declaração ocorreu após um ataque aéreo israelense atingir o bairro de Dahiyeh, nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, matando ao menos três pessoas e ferindo outras seis.

O bombardeio sionista acontece em um momento crítico, na iminência da assinatura de um acordo provisório de paz entre Washington e Teerã, mediado pelo Paquistão.

“Os Estados Unidos ou não têm vontade para cumprir seus compromissos ou não têm capacidade para isso”, escreveu Ghalibaf na rede social X.

O negociador iraniano foi enfático ao classificar a dinâmica entre a Casa Branca e o governo de Israel como um teatro diplomático: “Está ultrapassado”, afirmou sobre o jogo de “polícia má e polícia boa”.

O teatro de Trump e a agressão sionista

Mesmo diante da agressão que vitimou civis sob escombros no Líbano, o presidente neofascista, Donald Trump, tentou manter as aparências de mediador. Em sua rede social, Truth Social, Trump criticou o momento da ofensiva, mas não deixou de passar pano para o aliado histórico.

“Israel tem o direito de se defender contra ameaças, mas o ataque ao qual estava respondendo foi muito pequeno e sem relevância”, declarou o republicano, minimizando a provocação israelense que ameaça o processo de paz.

Enquanto Washington tenta posar de pacificador, o histórico de exigências imperialistas continua no centro da mesa. No sábado (13), Trump chegou a afirmar que o acordo incluiria o controle e a destruição do urânio iraniano por forças estadunidenses. “Entraremos e pegaremos o pó nuclear (…) e o diluiremos e destruiremos, seja no Irã ou nos Estados Unidos”, prometeu, expondo a face intervencionista que Teerã observa com desconfiança.

Impasse geopolítico e resistência

A Defesa Civil do Líbano confirmou que os corpos das vítimas foram recuperados sob os escombros de um prédio residencial. Do outro lado, os militares de Israel alegam que o alvo era o Hezbollah, justificando a matança com supostos ataques de drones que sequer provocaram vítimas em território ocupado. Para o Irã, a inclusão do Líbano no cessar-fogo é uma condição inegociável, o que torna o ataque de hoje uma mensagem clara de Israel contra qualquer estabilidade regional que não passe pela sua hegemonia militar.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia anunciado na sexta-feira (12) que as partes alcançaram um “texto final”. Contudo, a ofensiva em Beirute reforça a tese de que, enquanto os EUA controlam a caneta, Israel controla o gatilho, servindo aos interesses do capital e da manutenção do conflito no Oriente Médio.

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