Uma denúncia protocolada junto ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) revela que o governo de Ibaneis Rocha (MDB) supostamente operou uma verdadeira “parceria de fachada” para desviar R$ 5 milhões da educação pública. O esquema, que deveria levar robótica às escolas, serviu para alimentar a produtora do malfadado filme Dark Horse, obra de exaltação à trajetória de Jair Bolsonaro.
O contrato, firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), é presidido por Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment — a mesma produtora do filme bolsonarista. Enquanto alunos do Recanto das Emas e de Samambaia recebiam impressoras 3D encaixotadas e links de YouTube como “treinamento”, o dinheiro público fluía com uma agilidade “estarrecedora”: o pagamento foi liberado apenas 5 horas e 52 minutos após o empenho, em pleno 27 de dezembro de 2023, ritmo absolutamente incomum no serviço público, feito no antepenúltimo dia útil do ano.
Autor da denúncia ao Ministério Público, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) se disse estarrecido com as informações que colheu.
Enquanto os recursos eram liberados com rapidez, a realidade encontrada nas escolas apontava falhas na execução do projeto. Vistorias realizadas entre outubro e novembro de 2024 constataram que impressoras 3D e laboratórios móveis de alto custo permaneciam inoperantes, encaixotados ou sem utilização.
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 113 do Recanto das Emas, professores relataram que o treinamento para utilização das impressoras 3D se limitou ao envio de um link do YouTube. Já no CEF 507 de Samambaia, os equipamentos sequer podiam ser ligados por falta de estrutura elétrica adequada na unidade escolar.
O “socorro” que quebrou o BRB
A gestão de Ibaneis Rocha, fiel escudeiro do bolsonarismo, não se limitou a sangrar o orçamento pedagógico. Paralelamente ao financiamento indireto da propaganda da extrema-direita, Ibaneis empenhou o Banco de Brasília (BRB) em uma operação de “socorro” ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. O banqueiro, que também despejou milhões no filme Dark Horse, teria tratado pessoalmente com o governador sobre a venda de sua instituição ao banco estatal brasiliense.
O resultado da aventura financeira foi catastrófico: o suposto socorro acabou por quebrar o BRB, transformando o banco público em um puxadinho para salvar os negócios de Vorcaro. A triangulação de recursos entre o GDF, o Banco Master e a produtora de cinema expõe as digitais da família Bolsonaro em um esquema que prioriza a sétima arte da propaganda fascista em detrimento da merenda e da estrutura escolar.
Educação sucateada e cinema financiado
Vistorias parlamentares constataram que o projeto STEAM Maker foi um fracasso deliberado. Escolas sem estrutura elétrica sequer podiam ligar os equipamentos.





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