Embora não se saiba se é o dado final, chegou a R$ 20 bilhões o mais novo número contabilizado do prejuízo do BRB com as fraudes com o Banco Master. O valor aparece em auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer em parceria com a Kroll, que analisou operações feitas durante a gestão bolsonarista de Ibaneis Rocha no Governo do Distrito Federal (GDF). Os auditores afirmam que há “falhas graves e indícios relevantes de irregularidades em porção significativa” das operações entre as instituições.
O estrago, porém, não se limita ao número inicial. Segundo a auditoria, entre julho de 2024 e outubro de 2025 o Banco de Brasília (BRB) adquiriu carteiras do Banco Master e do Will Bank que somaram R$ 26,6 bilhões, especialmente em crédito consignado e varejo. Os primeiros sinais de que a operação estava contaminada só apareceram em 2025. Com base nos contratos revisados, a exposição total pode ter ultrapassado R$ 30 bilhões.
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Balanço atrasado e rombo indefinido
A crise é tão profunda que o BRB não conseguiu fechar o balanço de 2025 e segue sem data para publicação. Sem um número final, o banco acumula multas diárias da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), risco de processos contra administradores e possibilidade remota, mas prevista em norma, de suspensão de registro de companhia aberta. Analistas afirmam que o dano reputacional já supera o financeiro — e a volatilidade dos ativos deve crescer.
A ausência de transparência levou o GDF a articular um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para tentar evitar que o capital regulatório do banco desabe de vez. O pacote envolve carência de 18 meses e garantias que incluem imóveis e participações estatais. Esse socorro, porém, ainda não foi fechado. A lei distrital que o autoriza está sob judice.
Conversas revelam desespero e manipulação
As suspeitas também avançam na esfera criminal. A Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, encontrou mensagens em celulares ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Em um dos trechos, ele pressiona subordinados: “Irmão, se não mandarmos essas CCBs até meio-dia, não vamos ter opções mais”. Em outro momento, admite a inconsistência das cifras: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração”. Um executivo resume o colapso: “Não tem a menor condição de ficar de pé”.
O BRB pediu na Justiça que o patrimônio dos envolvidos — incluindo os fundos e os nomes ligados às operações fraudulentas — responda pelos prejuízos. A crise, ainda sem horizonte definido, torna evidente o legado devastador deixado pelas aventuras financeiras da administração Ibaneis.






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