A barbárie não tem limites quando encontra o escudo da impunidade digital. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (15) para investigar e punir perfis que incitaram estupro, necrofilia e vilipêndio de cadáver contra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. A jovem de 21 anos morreu no último sábado (13) após ser lançada de uma ponte de 40 metros em Limeira, no interior paulista, durante uma atividade de rope jump sem a corda de segurança.
A tragédia, que já escancara a negligência criminosa da empresa responsável pelo salto, tornou-se palco para a escória da internet. A parlamentar compilou comentários asquerosos publicados nas redes sociais, incluindo atrocidades como “eu indo no IML juntar os pedaços para fazer a festa”. O mais revoltante não é apenas a existência de indivíduos capazes de tal baixeza, mas a conivência estrutural das plataformas que hospedam e lucram com essa misoginia doentia.

Erika Hilton aciona a PF contra misoginia nas redes. A inércia expõe como as big techs lucram com crimes na internet.
“Isso é misoginia, isso é incitação e isso é CRIME! Um crime cometido pela internet e cuja responsabilidade de investigação recai sobre a PF. Não podemos permitir que a falta de moderação e de responsabilidade das big techs, que lucram bilhões de dólares, continue a normalizar tantos horrores”, afirmou Erika Hilton.
Mesmo após denúncias feitas por diversos usuários, os comentários criminosos seguem intactos e disponíveis para qualquer um ler. As corporações do Vale do Silício, que possuem algoritmos sofisticados para censurar conteúdos políticos que ameaçam o imperialismo, convenientemente alegam dificuldades técnicas para apagar apologias ao estupro e à necrofilia.
A inércia das redes sociais não é um erro de moderação, é um modelo de negócios. O engajamento gerado pelo ódio e pela violência rende bilhões de dólares em publicidade. A ação de Erika Hilton junto à PF é um passo fundamental não apenas para caçar os covardes que se escondem atrás de perfis falsos, mas para colocar as big techs no banco dos réus.
Enquanto a legislação não for implacável contra as empresas que monetizam a barbárie, o ambiente digital continuará sendo um esgoto a céu aberto, onde a dignidade das mulheres, mesmo após a morte, é tratada como mercadoria para gerar cliques.





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