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feminicídio recua
Dados oficiais mostram que o feminicídio recua no Brasil após a aplicação do Pacto Nacional e operações integradas. Casos caíram 11%, mas é preciso avançar. Foto: Divulgação/Polícia Civl do Pará
VIDA

Casos de feminicídio caem 11,45% no país em dois meses

Ações integradas do Governo Lula 3 começam a dar resultado

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou um levantamento nesta quinta-feira (18) apontando um recuo de 11,45% nos casos de feminicídio em todo o território nacional durante os meses de abril e maio de 2026. Os dados estatísticos revelam que o país registrou 232 vítimas no período, contra as 262 contabilizadas no mesmo intervalo do ano anterior. A redução significa que 30 mulheres deixaram de ser assassinadas em razão da condição de gênero nos primeiros meses de vigência do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

A queda nos índices de violência letal foi impulsionada pelo mês de abril, que apresentou uma diminuição de 23,94% nos assassinatos, caindo de 142 para 108 ocorrências. Em maio, o cenário mostrou estabilidade com viés de baixa, registrando 124 casos diante dos 120 anotados em 2025. Para o chefe da pasta, o ministro Wellington César Lima e Silva, o resultado decorre da articulação entre os entes federativos.

“A redução registrada nesse período demonstra que a integração entre União, estados, municípios e sistema de Justiça pode produzir resultados concretos quando colocamos a proteção das mulheres no centro das políticas públicas”, declarou.

Operação Mulher Segura e a engrenagem repressiva

A principal ferramenta prática apontada pelo balanço governamental é a segunda edição da Operação Mulher Segura, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A iniciativa, que reúne polícias civis, militares, penais e guardas municipais, resultou em 630 prisões de agressores apenas nos primeiros 15 dias de junho. O esforço concentrado tenta estancar um ciclo de violência estrutural que a negligência histórica do Estado costuma alimentar.

Além da vertente punitiva, o balanço oficial cita a realização de 218 ações educativas presenciais e o atendimento a mais de duas mil mulheres pelas redes de acolhimento. O modelo tenta corrigir a fragmentação das políticas de proteção, embora o desafio de desmantelar a cultura patriarcal que sustenta os crimes de ódio exija mais do que mutirões policiais temporários.

O desafio da presença permanente do Estado

Apesar do recuo pontual nas estatísticas, o diagnóstico das forças de segurança reconhece a dimensão do problema subjacente. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, ponderou que o avanço técnico nas investigações e o reforço das medidas preventivas são passos iniciais.

“O feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo de violência que precisa ser interrompido antes que a tragédia aconteça. Por isso, estamos fortalecendo a integração entre as forças de segurança, ampliando ações preventivas, qualificando investigações e reforçando a proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade. Salvar vidas exige presença do Estado, coordenação e ação contínua”, afirmou o secretário.

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado em fevereiro deste ano, tenta institucionalizar essa coordenação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A meta de longo prazo é garantir que a estrutura de acolhimento funcione de forma ininterrupta, impedindo que os índices voltem a subir quando as operações saírem das manchetes.

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