A extrema direita latino-americana descobriu o caminho mais curto para o poder: desinformação maciça, captura de tribunais eleitorais e silenciamento de quem denuncia. O Chile já caiu em dezembro de 2025, com a eleição do ultradireitista José Antonio Kast. A Colômbia sucumbiu neste domingo (21), com Abelardo de la Espriella vencendo por margem apertada sob denúncias de fake news, compra de votos e suspeitas de financiamento israelense a plataformas digitais de extrema direita. Agora o Brasil é o alvo. E a máquina já está em operação.
A primeira peça do tabuleiro brasileiro foi movida pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Indicado ao STF por Jair Bolsonaro, ele determinou a remoção de publicações nas redes sociais que associavam o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) à chamada escala 7×0. A decisão atende a uma representação do Partido Liberal contra posts de parlamentares da oposição. Na prática, Mendonça blindou o bolsonarismo de críticas sobre a precarização do trabalho em plena campanha eleitoral.
A segunda peça é ainda mais grave. Desde que assumiu a presidência do TSE em 12 de maio, o ministro Kassio Nunes Marques, o outro indicado de Bolsonaro ao STF, iniciou o desmonte silencioso das ferramentas de combate à desinformação que marcaram as gestões de Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
O esvaziamento da proteção eleitoral
Segundo informações da Folha de S.Paulo, Nunes Marques tem sinalizado a interlocutores uma estratégia de menor ênfase em remoções de conteúdo e punições, com foco em ações educativas e no direito de resposta.
A pesquisadora Débora Salles, diretora do Netlab da UFRJ, afirmou que a parceria do tribunal com a academia foi desmobilizada.
“Isso nos preocupa, porque não está muito claro como o tribunal vai dar conta de fiscalizar todos os problemas que a gente já viu nas outras eleições, e que a gente está vendo que vão acontecer este ano. A questão da IA coloca o problema dos riscos à integridade eleitoral num outro patamar”, disse.
O cenário repete o roteiro testado no Chile e na Colômbia. Com a Justiça Eleitoral desarmada e a máquina de fake news rodando a todo vapor, a extrema direita brasileira já começa a colher os frutos. Empresas de tecnologia relatam dificuldades de interlocução com o tribunal. Organizações acadêmicas veem os canais de denúncia se fecharem. A conta, como sempre, será paga pela democracia.





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