O presidente nacional do PL, partido de extrema direita, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta sexta-feira (26) que “Michelle tem um preço” para o partido. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Gaúcha, ao comentar a crise entre a ex-primeira-dama e o senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Valdemar disse que estava em Miami e antecipou a volta ao Brasil por considerar o episódio “muito sério”.
Valdemar, que tem relação histórica e próxima com a também neofascista Michelle, sinaliza que o partido tem planos para ela que vão além do cargo de presidente do PL Mulher. O “preço” de Michelle pode ser a cabeça da chapa presidencial.
O vídeo ensaiado
Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que acusa Flávio de maltrato e humilhação. O material tem enquadramento profissional, iluminação controlada e texto ensaiado. Não é um desabafo. É uma peça de marketing político.
Interlocutores ouvidos pelo jornalista Claudio Dantas afirmaram que Jair Bolsonaro não autorizou a gravação. O ex-presidente, condenado a 27 anos por tentativa de golpe e atualmente em prisão domiciliar, foi pego de surpresa. O episódio demonstra que Bolsonaro não tem qualquer controle sobre a mulher, que age por conta própria e com objetivos próprios. No código bolsonarista, isso é uma fraqueza dele e uma afronta dela.
Michelle afirmou que Flávio foi ríspido ao telefone e disse que ela “havia chegado ontem” e não entendia nada de política. “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante”, declarou.
A sucessão em curso
Nos bastidores, políticos que orbitam o neofascismo bolsonarista avaliam que o episódio não deve comprometer a aliança com Ciro Gomes no Ceará. Mas estão cobrando do condenado Jair Bolsonaro que, de dentro da cadeia, escreva uma carta de próprio punho pedindo perdão a Ciro pela descompostura da esposa.
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O movimento de troca de Flávio por Michelle vem sendo estimulado discretamente por Valdemar, que aposta no capital político da ex-primeira-dama entre mulheres conservadoras e evangélicas.
A três meses da eleição, o bolsonarismo se despedaça em público. O patriarca está preso e sem controle sobre a própria casa. O herdeiro é humilhado publicamente pela madrasta. E o partido já admite que Michelle “tem um preço”. O preço, ao que tudo indica, é a candidatura do enteado.





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