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guerra contra a imprensa
“Preciso calar essa mulher”, disse o corrupto Daniel Vorcaro sobre a jornalista Malu Gaspar. Foto: Reprodução Globonews
BRASIL

“Preciso calar essa mulher”, rosnou Vorcaro

Banqueiro corrupto tentou de tudo contra Malu Gaspar

Diálogos interceptados pela Polícia Federal revelam que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o publicitário Thiago Miranda montaram uma operação de espionagem para intimidar a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. O banqueiro decretou que precisava “frear” e “calar essa mulher” após ela expor fraudes na instituição. O publicitário cumpriu a ordem e repassou dados bancários, familiares e de endereço da repórter.

Depois de bisbilhotar a vida da jornalista sem achar nada, Vorcaro resolveu tentar comprá-la. Nos diálogos encontramos pela PF no celular no ex-banqueiro da extrema direita, ele manda oferecer R$ 1,5 milhão mais um salário de R$ 120 mil mensais para ela trabalhar no canal do portal de fofoca Léo Dias no Youtube. Malu respondeu com novas denúncias sobre a corrupção do Banco Master.

O método miliciano do capital

O episódio escancara as entranhas de um sistema que recorre à barbárie quando seus crimes bilionários são revelados. E Vorcaro é um reincidente contumaz. Antes de mandar vasculhar a vida de Malu Gaspar, o ex-banqueiro já havia tramado dar uma surra em Lauro Jardim, outro colunista do mesmo jornal. Foi por este motivo, inclusive, que ele voltou à cadeia, onde está até hoje. A violência física e a intimidação psicológica são as ferramentas de uma burguesia financeira que não tolera o escrutínio público e opera diariamente com a certeza absoluta da impunidade.

A simbiose com o neofascismo

Essa milícia de colarinho branco não age isolada. Ela atua em simbiose perfeita com o projeto de poder do bolsonarismo. A prova mais evidente ocorreu quando o site Intercept Brasil revelou um áudio estarrecedor em que o senador neofascista Flávio Bolsonaro pedia dinheiro diretamente a Daniel Vorcaro. A resposta do clã não se deu nos tribunais ou com transparência. Os Bolsonaros acionaram imediatamente suas milícias digitais para atacar o veículo, ameaçar repórteres e tentar abafar o escândalo financeiro. Não sem antes o próprio Flávio Bolsonaro, numa atuação digna de patife canastrão, ter acusado o repórter de fazer militância política por ter perguntado sobre as relações financeiras dele com Vorcaro.

A guerra à imprensa não é um dano colateral, mas uma tática central do neofascismo para blindar seus aliados e tomar o poder. “Preciso calar essa mulher”, a frase de Vorcaro, serve como lema para a aliança nefasta entre o mercado financeiro fraudulento e a extrema direita. A espionagem contra jornalistas, o levantamento de endereços e as campanhas de difamação são o método escolhido para garantir que o saque ao Estado continue nas sombras. O capital financia a barbárie, e o fascismo executa o serviço sujo.

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