Os caminhoneiros brasileiros declararam guerra aberta ao obstrucionismo do Senado. A partir da noite desta segunda-feira (13) e madrugada de terça (14), entidades da categoria iniciam paralisação nacional para forçar a votação da MP do Frete até a quinta-feira (16) — prazo final para que a medida provisória não perca validade. O alvo da indignação é direto: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que simplesmente se recusa a pautar a matéria.
A MP nº 1.343/2026 não é um mero detalhe técnico. Ela reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário — que protege o autônomo da concorrência predatória — e cria o piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas de longa distância. São direitos conquistados após décadas de exploração. Sem eles, os custos do transporte rodoviário tendem a subir. A comida vai ficar mais cara. Se a MP caducar, portanto, tudo volta à estaca zero.
O contexto é de tensão crescente. Líderes do Senado debatem com as entidades dos caminhoneiros, mas sem a presença de Alcolumbre, que tem a prerrogativa exclusiva de pautar as votações. É o mesmo Alcolumbre que já sabotou a indicação de Jorge Messias ao STF e que tem sido pedra no sapato do governo Lula em todas as pautas prioritárias. Agora, ele segura uma medida que afeta diretamente a vida de milhões de trabalhadores e o abastecimento do país.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) alertou em nota que a ausência de deliberação “favorece o surgimento de manifestações espontâneas”. Em bom português: se o Senado deixar a MP caducar, a categoria não vai esperar. A greve geral que estava na mesa desde a semana passada pode se transformar em realidade a qualquer momento.
A hipocrisia do Congresso é escancarada. Os mesmos senadores que correm para aprovar projetos que beneficiam banqueiros e latifundiários arrastam os pés quando se trata de garantir R$ 5 mil por mês para quem passa a vida na estrada, longe da família, comendo na boleia e pagando pedágio. O caminhoneiro é o sangue da economia nacional — sem ele, não tem supermercado abastecido, não tem fábrica funcionando, não tem combustível no posto.
O governo Lula fez a sua parte. Editou a medida provisória, ampliou a fiscalização do piso do frete, zerou impostos sobre combustíveis e negociou com a categoria para evitar paralisações em março. Mas a bola agora está na quadra do Senado — e Alcolumbre parece decidido a jogar contra o tempo.
Se a MP caducar, a responsabilidade é de quem tem o poder de pautá-la e escolhe não fazer. O Senado não pode fingir que não sabia. O prazo é quinta-feira. A greve começa agora.





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