O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal The Washington Post, no qual afirma que as tarifas impostas pelos Estados Unidos são um “erro estratégico” e que “ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”. A publicação ocorre 24 horas após o Itamaraty negar vistos a dois enviados de Donald Trump que, articulados com os Bolsonaros, pretendiam questionar as urnas brasileiras dentro do nosso próprio território.
Lula escreveu que a primeira versão do tarifaço foi anunciada por Trump com menção a Jair Bolsonaro, “condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil”, deixando explícita a motivação política. As tarifas agora variam entre 12,5% e 37,5%. Segundo a Global Trade Alert, o Brasil é hoje o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, alertou.
As exportações brasileiras para os EUA atingiram o menor patamar desde 1997. O comércio bilateral caiu 12,8%, enquanto as trocas com a União Europeia e a China cresceram.
A reunião sem pauta
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a Embaixada dos EUA procurou a Corte para solicitar uma reunião com os enviados de Trump, mas não informou qual seria o tema. A reunião não foi marcada por causa do recesso do Judiciário. Os emissários barrados foram Riley M. Barnes e Samuel Samson, associados à política externa de pressão sobre governos estrangeiros e apoio a grupos de direita.
No dia seguinte ao pedido de vistos, em 21 de julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a atacar as urnas eletrônicas em encontro com embaixadores, citando documentos da CIA sobre a Venezuela e insinuando que a empresa Smartmatic seria usada no Brasil. O TSE desmentiu: a Smartmatic jamais forneceu urnas ao Brasil.
“Sem subserviência”
Lula defendeu a regulação das plataformas digitais, afirmou que o Pix não discrimina empresas americanas e destacou a redução do desmatamento. “Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo”, escreveu. E fechou: “O destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência.”
Trump manda comitiva sem pauta. Itamaraty barra. Flávio Bolsonaro ataca urnas com documento da CIA. Lula responde no Washington Post: ninguém nos derrota com mentiras. A soberania não se pede. Se impõe.





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