O Rio Grande do Sul voltou a sofrer com as chuvas. Dados do Centro de Operações da Defesa Civil do Estado (Codec) atualizados nesta segunda-feira (27) indicam que 59.967 pessoas foram afetadas pelos temporais que atingem o estado desde 16 de julho. São 218 municípios com danos registrados, 488 pessoas desabrigadas e 762 desalojadas.
Cinco cidades permaneciam com rios em situação de inundação no fim da manhã: São Borja, Itaqui e Uruguaiana, com o rio Uruguai acima da cota; São Leopoldo, com o rio dos Sinos; e Cachoeira do Sul, com o rio Jacuí. Em São Borja, o nível chegou a 11,08 metros — mais de dois metros acima da cota de inundação, fixada em 9 metros. A Defesa Civil mantém alertas vermelhos para todos esses trechos.
O Vale do Taquari é a região mais castigada. Concentra 91,60% da população desabrigada do estado. Só em Lajeado, são 321 pessoas fora de casa — 65,78% do total. Encantado contabiliza 100 desabrigados (20,49%) e Estrela, 26 (5,33%).
Alerta de novas tempestades
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) elevou o nível do alerta para parte do estado e publicou um aviso vermelho, de grande perigo, válido até terça-feira (28). A previsão indica volumes superiores a 60 mm por hora ou 100 mm por dia, com risco alto de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos. A MetSul projeta acumulados que podem superar 200 mm no estado.
Governo federal presente
Enquanto a tragédia se repete no estado, o governo federal atua com equipe técnica da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que permanece em Porto Alegre até 31 de julho. A equipe trabalha junto ao Escritório Regional do MIDR nas áreas de monitoramento e alerta, reconhecimento federal, resposta e recuperação.
Em julho, a Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência em 17 municípios gaúchos. Com o reconhecimento, as prefeituras podem pleitear verbas à União para intervenções de defesa civil. Não há registro de mortes ou desaparecidos até o momento.
SP também sofre com chuvas
No interior de São Paulo, quatro municípios registraram impactos do temporal. Até o momento, são 2.026 pessoas desalojadas e 20 desabrigadas em cidades como Ribeirão Preto, Taquaritinga e Dumont — estas três já tiveram o reconhecimento sumário de situação de emergência publicado em edição extra do Diário Oficial da União no sábado (25), permitindo que as prefeituras avancem na solicitação de recursos federais.
A Defesa Civil Nacional chegou a Ribeirão Preto poucas horas após o temporal de sexta-feira (24). Equipes técnicas realizaram visitas a Dumont e Guariba para orientar as administrações municipais sobre os procedimentos de reconhecimento federal.
Crise climática não é ficção
Enquanto a extrema direita brasileira gasta energia com convenções vazias, crises diplomáticas com a Argentina e inquéritos no STF, a realidade climática cobra a fatura no Sul do país. O Vale do Taquari, que já havia sido devastado por enchentes históricas em 2024, volta a sofrer. São 60 mil pessoas pagando o preço da inação climática que os governos anteriores cultivaram com agronegócio predatório e negação científica.
O governo Lula está presente — com equipe técnica no terreno, reconhecimento sumário de emergências e liberação de recursos. Não é suficiente para evitar a tragédia, mas é o que separa um estado que responde da omissão criminosa que marcou o desgoverno anterior.





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