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PF combate garimpo terra indígena
Equipes operacionais da PF estão hoje dentro da floresta amazônica. Foto: PF
VIDA

O que a PF fez com garimpeiros em terra indígena no Pará

Governo retoma combate ao garimpo que Bolsonaro incentivou

A Polícia Federal, em conjunto com o Ibama, a Força Nacional e o Centro de Cooperação Internacional da Amazônia (CCPI), deflagrou entre os dias 28 e 31 de julho uma operação de desintrusão e combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Baú, no sudoeste do Pará. A ação inutilizou pás-carregadeiras, acampamentos, motores de balsas, geradores e um tanque de combustível de 1.000 litros — tudo usado na destruição da floresta e no envenenamento de rios.

Isso importa porque marca a retomada do Estado brasileiro no cumprimento de sua função constitucional: proteger territórios indígenas e combater a criminalidade ambiental. Durante o governo Bolsonaro, a fiscalização foi desmontada, órgãos foram esvaziados e garimpeiros agiram com impunidade absoluta — muitas vezes com o estímulo direto do próprio presidente, que chegou a defender a legalização do garimpo em terras indígenas.

O contexto é de anos de devastação acumulada. Levantamentos técnicos identificaram que as atividades garimpeiras às margens dos rios Curuá e Curuaés vêm causando impactos diretos às comunidades indígenas — prejuízos aos recursos pesqueiros, contaminação por mercúrio e reflexos ambientais e sanitários graves. A operação agora mira exatamente essas áreas, nos municípios de Novo Progresso e Castelo dos Sonhos, em zonas remotas da floresta amazônica.

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A operação foi planejada a partir de inquérito que apura denúncias de mineração ilegal em áreas protegidas. Informações reunidas por órgãos de fiscalização e por entidades de proteção aos povos indígenas confirmaram a continuidade das atividades criminosas na Terra Indígena Baú. A inutilização dos equipamentos segue a legislação ambiental: quando é impossível retirar as máquinas do local, elas são destruídas para não serem reaproveitadas na atividade clandestina.

A investigação segue para identificar financiadores, organizadores e demais envolvidos. É aqui que o jogo fica sério. Garimpo em terra indígena não é atividade de garimpeiro isolado. Tem maquinário pesado, tem combustível em volume, tem logística. Tem dinheiro por trás. E esse dinheiro, historicamente, tem nome, tem partido e tem mandato.

A diferença entre o governo Lula e o governo Bolsonaro não poderia ser mais clara. Um fiscaliza, investiga e destrói maquinário ilegal. O outro incentivou a invasão, desmontou o Ibama, calou a Funai e tratou o garimpeiro como herói nacional. A Amazônia não é minério a saquear. É território de povos originários e patrimônio da humanidade.

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