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Ciclone bomba Brasil Sul
Aviso meteorológico do Inmet para esta sexta-feira (7/8). Imagem: Instituto Nacional de Meteorologia
VIDA

Ciclone bomba devasta Sul e Sudeste e deixa um morto no RS

Tornado em Pedro Osório e rajadas de 132 km/h em Porto Alegre

Um ciclone bomba varou o Brasil de sul a norte nesta sexta-feira (7) e deixou um rastro de destruição que ainda não foi totalmente dimensionado. No Rio Grande do Sul, cerca de 100 municípios reportaram danos. Um motociclista de 33 anos morreu em Montenegro, no Vale do Caí, atingido por uma árvore que caiu sobre a rodovia RS-124. Três pessoas ficaram feridas. Um tornado foi confirmado em Pedro Osório — o segundo no estado em dez dias. No Rio de Janeiro, moradores acordaram com alerta severo no celular. Em São Paulo, a Defesa Civil montou gabinete de crise. O Inmet emitiu alerta laranja para toda a faixa litorânea, de São Paulo ao Rio Grande do Sul.

Não se trata de um evento isolado. É mais um capítulo de uma série de extremos climáticos que têm castigado o Brasil com frequência crescente. Em 29 de julho, uma ventania no Rio matou duas pessoas em Santa Teresa e deixou centenas de milhares sem energia. Agora, menos de duas semanas depois, um ciclone bomba derruba árvores, arranca telhados e paralisa cidades inteiras do Sul ao Sudeste. A repetição não é coincidência — é padrão.

O contexto é de um sistema que se intensificou rapidamente na altura do Uruguai e avançou pelo Brasil produzindo tempestades severas, vendavais e granizo. Porto Alegre registrou rajada de 132 km/h no Clube Jangadeiros — uma das maiores em décadas de medições. No Aeroporto Salgado Filho, o vento chegou a 120 km/h. General Câmara teve 126 km/h. No Rio, a previsão é de ventos acima de 90 km/h. No litoral paulista, rajadas podem superar 110 km/h, com ondas de até 3 metros. O Inmet alerta que os efeitos do ciclone chegam ao sudoeste do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e sul fluminense.

A dimensão do evento é nacional. A Defesa Civil gaúcha confirmou o tornado em Pedro Osório às 17h15 de quinta-feira (6), associado a uma supercélula — tempestade caracterizada por rotação. Foi o segundo tornado no RS em dez dias. No dia 28 de julho, outro fenômeno atingiu Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste gaúcho. Tornados são raros no Brasil. Dois em dez dias não são raridade — são anomalia.

As cidades estão reagindo. Rio, São Paulo, Petrópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Nilópolis, Belford Roxo, São João de Meriti, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião suspenderam aulas. Parques foram fechados. O governo fluminense ativou o Gabinete de Crise às 6h da manhã. A Defesa Civil paulista colocou toda a equipe de prontidão. No RS, 19 municípios receberam alerta vermelho para tempestades severas durante a madrugada.

Enquanto isso, a extrema direita insiste em tratar mudança climática como ideologia. O mesmo grupo político que negou a ciência durante a pandemia, queima a Amazônia e defende o garimpo em terras indígenas agora finge que ciclones bomba, tornados consecutivos e ventos de 132 km/h são “coisa do tempo”. Não são. São consequências de um planeta que aquece porque o modelo econômico que eles defendem — extrativista, predatório, fossilista — destrói o equilíbrio climático.

A contradição central

O Brasil acorda sob alerta de ciclone bomba pela segunda vez em duas semanas. Tornados, que eram raros, viraram fenômeno recorrente no Rio Grande do Sul. Rajadas de 132 km/h arrancam telhados em Porto Alegre. A extrema direita continua negando a mudança climática. A natureza não espera pelo negacionismo — cobra a conta.

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