O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato neofascista à Presidência da República, postou nas redes sociais um vídeo apresentando como novidade um programa de financiamento estudantil que existe no Brasil desde 1999: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Na convenção do PL no Distrito Federal, em 2 de agosto, Flávio prometeu “Fies sem juros” e fim de dívida para recém-formados desempregados. Disse que pretende implantar um modelo no qual o estudante só começaria a pagar o financiamento após conquistar condições financeiras. O Fies já funciona assim.
Criado em 1999 pelo Ministério da Educação (MEC) no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Fies substituiu o antigo Crédito Educativo (Creduc), instituído em 1976 durante o governo de Ernesto Geisel. O programa foi convertido na Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Em 2010, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Fies foi ampliado, com juros zero e condições facilitadas de pagamento. Hoje, o Novo Fies oferece taxas de juros reais zero e parcelas que cabem no bolso do trabalhador.
A ignorância como programa de governo
A proposta de Flávio Bolsonaro não é apenas desinformada. É cínica. O senador promete criar o que já existe, com a mesma lógica que já funciona, e apresenta como revolução. O vídeo nas redes sociais gerou comparações imediatas com o Fies, política pública existente há 27 anos. A ignorância sobre a realidade brasileira parece ser o único programa de governo que o bolsonarismo consegue oferecer.
Enquanto Flávio “descobre” o Fies, o governo Lula lançou o Desenrola Fies em 2026, que renegocia dívidas de estudantes com descontos de até 99% para pagamento à vista. Em junho, o programa já havia firmado mais de 96 mil contratos para quitação de dívidas, perdoando R$ 4 bilhões. Em abril, Lula anunciou inclusão de estudantes com pendências no Fies em programa de renegociação. A diferença é clara: a direita promete o que já existe. A esquerda entrega.
Educação não é mercadoria
Educação não pode ser tratada como peça de propaganda eleitoral. Para milhões de brasileiros, conseguir entrar e permanecer numa universidade significa romper ciclos de pobreza e ampliar possibilidades que historicamente foram reservadas a poucos. E é justamente por isso que a discussão precisa ir além do financiamento. Universidade pública forte, permanência estudantil, ciência, pesquisa e acesso ao ensino superior são investimentos no povo brasileiro.
No fim, enquanto a direita neofascista tenta reinventar o Fies, seguimos defendendo algo muito mais simples: educação não é privilégio nem mercadoria. É direito. E direito não se “descobre” em vídeo de rede social. Se conquista com política pública séria, que o povo brasileiro já conhece há 27 anos.
👀 Veja o vídeo
View this post on Instagram






Deixe seu comentário