A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) revogou, nesta sexta-feira (7), a decisão que cortava R$ 25,5 milhões das escolas públicas. A nova Portaria nº 351 estabelece R$ 53,65 milhões para o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) no segundo semestre deste ano, com o valor-base de R$ 84 por estudante de volta.
Não foi por bondade. Foi por pressão. A revogação é resultado direto da mobilização de movimentos populares, do sindicato de professores, de parlamentares e da comunidade escolar, que foram às ruas e às redes exigir que o governo ultrabolsonarista do Distrito Federal parasse de sangrar a educação pública.
A portaria também determina que nenhuma unidade escolar receba menos de R$ 20 mil, além de estabelecer repasses adicionais e valores específicos para determinadas escolas. Centros de Ensino Especial, por exemplo, terão acréscimo de 300% por estudante.
Celina Leão, a herdeira do governo corrupto de Ibaneis
A governadora Celina Leão (PP) tenta agora se apresentar como a salvadora da educação. Mas a história não é essa. Celina Leão é parte integrante do governo corrupto de Ibaneis Rocha, por mais que ela agora tente negá-lo. Foi no governo Ibaneis, do qual ela é herdeira política e administrativa, que o GDF se enfiou no Banco Master numa frauda tão grande, tão escandalosa, que quebrou o caixa do governo em várias frentes, da saúde à educação.
O corte de R$ 25,5 milhões não foi um acidente. Foi uma escolha política de um governo que prefere gastar com o que interessa ao capital do que com o futuro das crianças. E Celina, que comandava ou endossava esse projeto, só recuou quando a rua apertou.
A prova do desastre está nos números. O Distrito Federal ficou abaixo da média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Ou seja: o governo ultrabolsonarista corta verba, a educação piora, e depois culpa os professores.
A troca que não muda nada
Em meio à crise, Celina anunciou Thiago Peixoto como novo secretário de Educação no lugar de Iedes Braga, neste sábado (8). A escolha é uma piada de mau gosto. No período em que exerceu o cargo de secretário de educação de Goiás, entre 2011 e 2013, Peixoto protagonizou momentos de conflito com professores, com sindicatos denunciando prejuízos na carreira e nos salários, atraso no reajuste do piso e descumprimento de acordos.
Em janeiro de 2025, quando assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis (SC), Peixoto também protagonizou embate com a comunidade escolar, publicando a Portaria nº 28/2025, que alterava regras para a contratação de profissionais da educação especial. O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) chegou a instaurar uma notícia de fato para analisar a situação.
Ou seja: o governo ultrabolsonarista do DF troca um secretário importando outro ainda pior, e quer que a gente acredite que está resolvendo a crise. A revogação do corte foi uma vitória do povo — mas a luta pela educação pública do Distrito Federal está longe de terminar.
A lição que fica
A vitória desta sexta-feira prova uma coisa: quando o povo se organiza, o governo ultrabolsonarista recua. Foi a mobilização da comunidade escolar que obrigou Celina Leão a repor a verba. Foi a pressão popular que arrancou do governo corrupto de Ibaneis Rocha a restauração dos R$ 84 por estudante.
Mas a luta não pode parar. O governo do DF segue comandado por herdeiros do bolsonarismo, com um histórico de corrupção, descaso e ataques à educação. A revogação do corte é uma batalha vencida. A guerra pela escola pública, de qualidade e bem financiada, continua.





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