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álibi de Gaspar
Vídeo em que Luiz Antônio Mohamed Lopes ameaça decapitar o ministro Alexandre de Moraes e desfilar com a cabeça dele espetada numa baioneta pelas ruas de Brasília. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Álibi de Gaspar é um bolsonarista que ameaçou decapitar Xandão

Vice de Flávio Bolsonaro é investigado por estupro de vulnerável

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro, tenta se livrar da acusação de estupro de vulnerável com um álibi que, quanto mais se investiga, mais fede. A peça central da suposta “armação” contra ele é um sujeito chamado Luiz Antônio Mohamed Lopes —  filiado ao Partido Liberal (PL) e tem um histórico público que deveria desqualificá-lo na hora.

Lopes, o tal “tio Luiz”, gravou um vídeo no qual promete cortar a cabeça do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e desfilar pela Esplanada dos Ministérios com ela espetada numa baioneta.

É o mesmo homem que, em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara, acusou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) de participar de uma suposta articulação para fabricar a acusação contra Gaspar. Foi Lindbergh, junto com a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que recebeu a denúncia diretamente do povo de Alagoas e a transformou em notícia-crime entregue ao Supremo Tribunal Federal, segundo a qual Alfredo Gaspar estuprou uma criança de 13 anos, que teria engravidado e dado à luz. A PF está investigando e já colheu amostra de DNA de Gaspar.

O álibi que se desmonta sozinho

A cronologia é reveladora. Depois da denúncia pública feita por Lindbergh e Soraya, em 14 de abril, Gaspar compareceu pessoalmente à Delegacia da Polícia Legislativa da Câmara, acompanhado de uma assessora de seu gabinete, e registrou uma ocorrência na condição de vítima. No mesmo dia, antes mesmo de ouvir a testemunha que posteriormente faria acusações contra Lindbergh, a Polícia Legislativa enviou um ofício à operadora Claro requisitando dados cadastrais de dois números de telefone.

Nove dias depois, em 23 de abril, Luiz Antônio Lopes foi ouvido como testemunha. Segundo a ação, Lopes acusou Lindbergh de participar de uma suposta articulação criminosa destinada a fabricar acusações contra Gaspar. Lindbergh nega categoricamente as declarações e afirma que não foi intimado, ouvido ou informado sobre o procedimento, tendo tomado conhecimento da investigação somente por terceiros.

A pergunta que se impõe: que credibilidade tem um depoimento cuja testemunha é um bolsonarista filiado ao PL que ameaçou publicamente decapitar um ministro do Supremo? A “defesa” de Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, repousa sobre os ombros de um extremista que queria desfilar com a cabeça de Alexandre de Moraes espetada numa baioneta.

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A estrutura da Câmara a serviço do vice

Lindbergh acionou o Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (10) para tentar suspender e anular a investigação aberta pela Polícia Legislativa da Câmara a pedido de Gaspar. Na ação, o deputado acusa o órgão da Câmara de conduzir ilegalmente uma investigação criminal contra um parlamentar, colher depoimentos e requisitar dados telefônicos sem autorização ou supervisão do Supremo.

O principal argumento é que a Polícia Legislativa não teria competência para conduzir uma investigação criminal dessa natureza contra um deputado federal, que deveria ocorrer sob supervisão do STF. A reclamação destaca que o procedimento começou a partir do comparecimento do próprio Gaspar à Polícia Legislativa, onde registrou a ocorrência na condição de vítima — produzindo, dentro da estrutura administrativa da Casa, um conjunto de declarações contra Lindbergh.

“Vale dizer: o órgão reclamado antecipou-se, por via administrativa e sem controle jurisdicional, a diligência que esta Corte reservou à sua própria supervisão”, afirma a reclamação. Lindbergh pede que os elementos produzidos sejam encaminhados ao procurador-geral da República para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie se houve prática de ilícitos na abertura e na condução do procedimento.

O bolsonarismo e o método do álibi forjado

O caso de Gaspar segue o manual da extrema direita brasileira: quando é pega, inventa um álibi. É o mesmo método de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, pego pela Polícia Federal com mais de R$ 430 mil em dinheiro vivo em casa, que forjou a venda de um imóvel — com escritura assinada 11 dias depois da apreensão — para “esquentar” dinheiro de origem ilícita.

A diferença é que Gaspar foi além: para se defender de uma acusação de estupro de vulnerável, recorreu a um extremista filiado ao seu próprio partido, que ameaçou decapitar um ministro do Supremo. O vice de Flávio Bolsonaro construiu sua “defesa” sobre a palavra de um homem que queria desfilar pela Esplanada com a cabeça de Alexandre de Moraes numa baioneta. É o bolsonarismo na sua forma mais pura: o extremismo como álibi, a ameaça como testemunha e a estrutura do Estado a serviço do poder.
👀 Veja o vídeo da ameaça de decaptação do ministro Alexandre de Moraes

 

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