Dólar
R$ 5.13 Subiu
Euro
5.958 Subiu
Brasília
19°C 27°C 18°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

OEA observadores eleições Brasil
Teste Público de Segurança da Urna 2023. Foto: José Cruz/Agência Brasil
BRASIL

OEA vigia urnas; Trump vigia o algoritmo

Interferência dos EUA está em pleno curso na eleição brasileira

A Organização dos Estados Americanos (OEA) informou que enviará observadores internacionais para acompanhar as eleições gerais de outubro no Brasil. Será a quinta vez que a entidade envia representantes ao país. O acordo foi assinado na quinta-feira (13) pelo secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, e o representante do Brasil na organização, Benoni Belli. Além da OEA, confirmaram presença a União Europeia, o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore), a Liga dos Estados Árabes e a Rede dos Órgãos Jurisdicionais de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP). Os observadores percorrerão locais de votação nos dois turnos.

O problema é que a interferência não acontece nos locais de votação. Acontece antes. Acontece nos algoritmos. Acontece nas tarifas. Acontece nas redes sociais. Acontece nos gabinetes de Washington. E os observadores da OEA nada podem fazer contra isso.

Canal no WhatsApp

Receba notícias da Frente Livre direto no celular.

A interferência que já está em curso

Os Estados Unidos já estão interferindo nas eleições brasileiras. O tarifaço de 25% sobre exportações brasileiras, articulado pela família Bolsonaro junto ao governo Donald Trump, atinge US$ 6,6 bilhões em exportações. Não é medida comercial. É arma eleitoral. Flávio Bolsonaro enviou carta a Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, pedindo adiamento das tarifas para depois das eleições. Eduardo Bolsonaro articula em Washington. O tarifaço é patrocinado pelos Bolsonaros com Trump.

A manipulação algorítmica das redes sociais esconde o conteúdo produzido pelo campo progressista e amplifica o do campo conservador. A Meta enviou notificação por escrito à Frente Livre admitindo que “sua conta não pode ser exibida para não seguidores”. O documento certifica o shadow ban. Dezenas de publicações marcadas. Não há discurso de ódio. Não há desinformação. Há jornalismo de esquerda. O historiador Jones Manoel, com 2 milhões de seguidores, sofreu o mesmo. A conta existe, o conteúdo é publicado, mas ninguém vê. É censura invisível.

O Financial Times revelou que Trump considera aplicar novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A alegação é “liberdade de expressão”. A intenção é ingerência direta no processo eleitoral. O Departamento de Estado dos EUA publicou vídeo declarando a América Latina como quintal norte-americano. A Doutrina Monroe tem 203 anos. Nunca morreu. Foi atualizada.

O laboratório latino-americano

O que acontece no Brasil não é pioneiro. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro denunciou fraude eleitoral algorítmica que alterou aproximadamente 7 milhões de votos para impor Abelardo de la Espriella, candidato de extrema direita alinhado a Trump e a Israel. A firma israelense BlackCore operou 500 mil contas falsas em redes sociais espalhando “milhões de mentiras”. A Viginum, agência francesa de vigilância, identificou BlackCore como operadora de interferência em eleições na França, Escócia, Nova York, Angola e Togo. Em todos, o alvo era o mesmo: políticos que criticavam Israel e defendiam a causa palestina.

No Peru, Keiko Fujimori venceu com manipulação algorítmica. No Chile, José Antonio Kast, ultra-direitista admirador de Trump, completou o que a BBC chamou de “círculo de fogo pró-Trump” em torno do Brasil. O cinturão neofascista está montado. Argentina, El Salvador, Equador, Paraguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia. Falta o Brasil.

O que a OEA não vê

A OEA concluiu em 2022 que as eleições brasileiras ocorreram “com ordem e normalidade”. E ocorreram. As urnas eletrônicas são auditáveis, seguras e confiáveis. O problema não está nas urnas. Está no que chega ao eleitor antes de ele votar. Está no algoritmo que esconde a esquerda e amplifica a direita. Está no tarifaço que Trump usa como chantagem. Está na firma israelense que pode estar operando bots neste momento. Está na bandeira americana erguida durante o hino nacional no ato de Flávio Bolsonaro em Copacabana.

Os observadores internacionais verificam a integridade do voto. Não verificam a integridade do que o eleitor leu, viu e ouviu nas semanas anteriores. Não verificam o shadow ban. Não verificam o impulsionamento pago de conteúdo de direita. Não verificam a atuação de firmas como BlackCore. Não verificam a ingerência de Trump via tarifas e sanções. Não verificam a manipulação algorítmica que já derrubou governos em três países da América Latina.

Só o povo salva o povo

A OEA é bem-vinda. Que observe. Que constate. Mas não espere dela o que ela não pode dar. A defesa da democracia brasileira não virá de missões internacionais. Virá da mobilização popular. Virá do povo nas ruas. Virá da militância que disputa voto por voto, casa por casa, rede por rede. Virá do eleitor que entende que está em jogo a soberania nacional, o petróleo do Amapá, os minerais estratégicos, o Pix, a indústria nacional, a dignidade do trabalhador.

As garras dos EUA já estão estendidas. A OEA não vai arrancá-las. Só o povo brasileiro, mobilizado e consciente, é capaz de manter essas garras longe do Brasil. A democracia se defende nas ruas. Não em relatório.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57