O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou na terça-feira (12) um vídeo de propaganda institucional que declara abertamente a hegemonia norte-americana sobre a América Latina. A peça, divulgada nas redes sociais oficiais da diplomacia americana, trata o continente como quintal subjugado e escancara a face mais agressiva de Washington sob a gestão de Donald Trump. A publicação não foi acidental. Foi ao ar no mesmo dia em que Trump anunciou tarifaço comercial. E no mesmo dia em que os Bolsonaros publicaram foto negociando entregas para Trump. Três movimentos coordenados. Uma coreografia imperial.
A provocação foi publicada imediatamente após a China solicitar adesão às consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas arbitrárias impostas pela Casa Branca. Ou seja: Brasil e China se unindo contra os EUA na OMC. A resposta de Washington não foi diplomática — foi imperial. Publicou um vídeo dizendo que a América Latina é dele. E que não ouse se rebelar.
A doutrina que nunca morreu
A Doutrina Monroe foi enunciada em 1823 pelo presidente James Monroe. Dizia: “América para os americanos.” Tradução livre: a América Latina é quintal dos Estados Unidos. Nenhuma potência europeia pode se meter. Os EUA podem. E se meteram — durante 203 anos. Invadiram, derrubaram governos, instalaram ditaduras, financiaram golpes, bloquearam ilhas, sequestraram presidentes. A Doutrina Monroe não dormiu. Foi apenas atualizada.
Em janeiro de 2026, Trump apontou a eleição no Brasil como teste para o domínio norte-americano. Em junho, compartilhou artigo sobre a extrema direita na América Latina confirmando a intenção de ingerência no processo eleitoral brasileiro. Em agosto, o Departamento de Estado publica um vídeo declarando hegemonia. A escalada é progressiva, deliberada e pública. Não há disfarce. Há arrogância.
Os correios da soberania
Neste xadrez, o clã Bolsonaro oferece a soberania brasileira como moeda de troca para obter o poder — independentemente das eleições. A foto publicada pelos Bolsonaros negociando entregas para Trump no mesmo dia do vídeo do Departamento de Estado não é coincidência. É entrega.
Flávio Bolsonaro ataca as urnas eletrônicas em encontros com embaixadores. Pede observadores internacionais. O governo Trump planeja enviar representantes ao Brasil para questionar a integridade eleitoral. Marco Rubio, secretário de Estado, pressiona pela “transparência”. Lula acusa Trump de interferência. O presidente do TSE, Nunes Marques — nomeado por Bolsonaro — precisa ser cobrado por ministros do STF para defender as urnas. Um TRE estadual cala um ativista que denunciava a extrema direita. O SBT engaveta entrevista depois de Flávio ser questionado sobre Vorcaro. E agora, o Departamento de Estado publica um vídeo dizendo que a América Latina é quintal dos EUA.
A engrenagem não está apenas montada — está operando. E o operador não está em Brasília. Está em Washington. Os Bolsonaros são os correios. A soberania é o pacote. O destinatário é a Casa Branca.
A eleição que não é entre Lula e Flávio
A eleição de 2026 não é entre Lula e Flávio Bolsonaro. É entre soberania e entrega. Entre um país que disputa seu lugar no mundo — que lidera consultas na OMC, que envia medicamentos a Cuba, que reduz jornada de trabalho, que cria Pix pensão alimentícia, que forma militantes em inteligência artificial — e um clã que oferece o país como moeda de troca para obter o poder que não consegue pelo voto.
De um lado, há um projeto de país. Do outro, projeto de impunidade com entrega incluída.
A Doutrina Monroe tem 203 anos. Os Bolsonaros são apenas os últimos correios. A pergunta não é se Trump vai interferir — já está interferindo. A pergunta é se o Brasil vai aceitar. E a resposta, em 12 de agosto de 2026, depende de quem o brasileiro escolher em outubro. Soberania ou quintal. Não há terceira opção.
👀 Veja o vídeo asqueroso e desrespeitoso postado pelo atual governo dos EUA
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