O dólar fechou nesta terça-feira (11) em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,161, depois de chegar a R$ 5,172 durante o dia. Foi a maior cotação da moeda em mais de um mês. O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo. As matérias publicada na grande imprensa atribuem a alta a três fatores: pesquisa eleitoral que mostra Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro, rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan e saída de capital estrangeiro da Bolsa. É a versão de Faria Lima. Passa longe da verdade.
A verdade é mais simples e mais profunda. Os juros estão caindo no Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou a Selic pela quarta vez consecutiva em 5 de agosto, de 14,25% para 14% ao ano. A inflação desacelerou: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu apenas 0,07% em julho, e a taxa em 12 meses caiu para 4,44%, abaixo do teto da meta de 4,50%. A economia responde. Os juros caem. E quando os juros caem, o capital especulativo que vivia do diferencial entre a Selic e os juros americanos, o chamado carry trade, sai do país. É matemática cambial, não crise.
O carry trade que foge
Carry trade é a operação em que o investidor pega dinheiro emprestado em dólar, onde os juros são baixos, e aplica no Brasil, onde os juros são altos, lucrando com a diferença. Com a Selic a 15%, o Brasil era um paraíso para o especulador. Agora que a Selic cai para 14% e deve continuar caindo, o diferencial encolhe e o capital especulativo se retira. A saída de R$ 2 bilhões por dia da Bolsa brasileira, citada pela matéria como fator de preocupação, é exatamente o dinheiro do carry trade que está deixando o país porque os juros não estão mais altos o suficiente para a especulação. O dólar sobe porque esse capital é convertido em real para entrar e em dólar para sair. É um ajuste natural do câmbio, não um voto de desconfiança no Brasil.
O rebaixamento político
O JPMorgan rebaixou a recomendação de investimento no Brasil de “compra” para “neutro”. Citou o fim do ciclo de queda de juros, a desaceleração do crescimento econômico e a piora nas condições de crédito. Mas a Selic não terminou o ciclo de queda. O Copom sinalizou que os próximos cortes dependerão dos dados econômicos. A inflação caiu pelo segundo mês seguido. O mercado de trabalho continua aquecido. O que o JPMorgan chama de “fim do ciclo” é, na verdade, o início do fim da festa do rentista. A Selic a 15% alimentava o especulador e sangrava o Tesouro. A Selic a 14% começa a devolver oxigênio à economia real e a afastar o capital de papel.
A narrativa de Faria Lima
A engrenagem é clara. A grande imprensa transforma um ajuste cambial natural, provocado pela queda dos juros, em crise política. Atribui a alta do dólar à pesquisa que mostra Lula crescendo, não à saída do especulador que lucrava com juros altos. O JPMorgan rebaixa o Brasil no mesmo dia em que a inflação cai e a Selic é cortada. O mercado chora o dólar a R$ 5,16 e ignora que a economia cresce, o desemprego cai e a inflação está controlada. A narrativa é a mesma de sempre: quando o rentista perde, vira notícia. Quando o trabalhador ganha, vira silêncio.





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