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TRE-CE censura ativista
O advogado e ativista Felipe Martins. Foto: reprodução
BRASIL

TRE-CE bane ativista e protege fascistas nas redes

Descubra por que Felipe Martins foi calado pelo tribunal cearense

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) determinou, em 3 de agosto, a suspensão imediata das redes sociais do ativista Felipe Martins. A decisão proíbe a criação de novos perfis em qualquer plataforma digital e impede o ativista de se manifestar politicamente nas redes até o fim das eleições de 2026. O motivo: suas publicações críticas a lideranças da extrema direita cearense, nas quais expôs condutas e apontou o silêncio de figuras como o deputado federal André Fernandes, o ex-deputado federal Capitão Wagner e o vereador Tancredo dos Santos. O ativista também ganhou projeção ao sugerir, em entrevista, que fosse deixado lixo no gabinete do prefeito de Caucaia — uma provocação que, se fosse feita por um bolsonarista contra um petista, provavelmente seria saudada como “liberdade de expressão”.

A defesa de Felipe Martins classifica a medida como censura prévia e anunciou que vai recorrer. Advogados sustentam que impedir um cidadão de usar redes sociais durante todo o período eleitoral levanta questionamentos graves sobre proporcionalidade e seus impactos no debate público. Eles têm razão. Mas o problema não é apenas a medida em si — é a assimetria.

A Justiça que tem pressa com a esquerda

A decisão do TRE-CE não ocorre no vácuo. Ocorre em um contexto onde perfis ligados à extrema direita continuam divulgando desinformação, ataques e acusações contra adversários políticos sem sofrer sanções equivalentes. Enquanto Felipe Martins é silenciado por denunciar fascismo, os fascistas seguem falando. Questionando urnas. Pedindo observadores internacionais. Atacando o sistema eleitoral. E tudo isso com a mesma impunidade que sempre protegeram.

A assimetria é o padrão, não a exceção. O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques — nomeado por Bolsonaro — precisou ser cobrado por ministros do STF para fazer uma defesa “mais enfática” das urnas eletrônicas contra os ataques bolsonaristas. Um TRE estadual não precisa de cobrança nenhuma para calar um ativista que denuncia a extrema direita. A Justiça Eleitoral brasileira tem pressa para silenciar a esquerda e preguiça para conter a direita. Não é impressão — é método.

Os nomes que o silêncio protege

Felipe Martins nomeou nomes. André Fernandes, deputado federal pelo Ceará. Capitão Wagner, ex-deputado federal. Tancredo dos Santos, vereador. São figuras públicas, com mandato, com poder, com voz. O ativista expôs condutas dessas lideranças e apontou seu silêncio diante de questões que incomodam. A resposta não foi um debate público sobre as denúncias. Foi um silenciamento judicial de quem as fez.

É o que a censura prévia faz: não responde ao argumento, proíbe a pergunta. Não refuta a denúncia, cala o denunciante. E, ao fazer isso, protege não a verdade — mas os denunciados. André Fernandes, Capitão Wagner e Tancredo dos Santos não foram punidos. Não foram investigados. Não foram sequer questionados publicamente sobre o que Felipe Martins expôs. Foram protegidos. Pelo Estado. Pela Justiça Eleitoral. Pelo mesmo sistema que deveria proteger o debate público, não os poderosos que o debate incomoda.

A sugestão de deixar lixo no gabinete do prefeito de Caucaia foi o gancho que o TRE-CE usou para justificar a suspensão. Mas o contexto é claro: Felipe Martins vinha denunciando a extrema direita cearense há meses. O lixo no gabinete foi a desculpa. O silenciamento era o objetivo.

A engrenagem que se fecha

Esta decisão não é um caso isolado. É parte de um sistema em movimento. Lula acusa Trump e Marco Rubio de planejar interferência na eleição. Flávio Bolsonaro ataca as urnas e pede observadores internacionais. O governo Trump planeja enviar representantes para questionar a integridade eleitoral brasileira. Nunes Marques precisa ser empurrado pelo STF para defender a democracia. André Mendonça dorme no inquérito Dark Horse e cobra pressa no caso Lulinha. E agora, um TRE estadual cala um ativista que denunciava a extrema direita enquanto os fascistas seguem soltos nas redes.

A engrenagem está montada e funciona em uma só direção: contra quem denuncia, a favor de quem pratica. O ativista é silenciado. O fascista é protegido. E a democracia, dizem, está em segurança.

Não está. Está sendo desmontada peça por peça — e a Justiça Eleitoral é uma das ferramentas.

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