A escala 6×1, que obriga milhões de brasileiros a trabalhar seis dias para descansar um, segue de pé. Não por vontade do povo. Por vontade da oposição. Nesta quarta-feira (2), a base do governo no Senado Federal decidiu não levar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 ao plenário. O motivo: a oposição, em uma “ação coordenada” comandada pelos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), esvaziou a Casa para impedir a votação. A matéria só deve voltar depois do primeiro turno das eleições, em outubro.
O que a PEC garante
A PEC 221/2019 acaba com a escala 6×1, garante dois dias de descanso remunerado por semana e reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, com transição de 14 meses. Foi aprovada na Câmara dos Deputados “com mais de 400 votos a favor, com gente de centro, de direita e de esquerda”, como lembrou o relator no Senado, Omar Aziz (PSD-AM). “Não é uma PEC sobre um dia de trabalho a menos por semana. É a PEC da empatia”, definiu.
Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta passou por 23 votos a 4. Os quatro votos contrários vieram todos da mesma trincheira: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). “Todos os votos contra foram de bolsonaristas”, resumiu o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). A autora do projeto na Câmara, deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), contou a manobra: “Tentaram usar o velho truque de pedir vista para empurrar a votação da PEC do fim da escala 6×1 para depois. Mas hoje não! Rogério Marinho pediu vista, mas Otto Alencar concedeu apenas uma hora.”
O esvaziamento criminoso
Aprovada na comissão, a PEC precisava de 49 votos no plenário, o equivalente a 60% dos 81 senadores, em dois turnos. O governo estimava ter 53 ou 54 votos. Margem insuficiente, na avaliação da liderança, diante da articulação da oposição para esvaziar a sessão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), perguntou aos governistas se havia segurança quanto ao número de votos. A resposta foi negativa. E a matéria ficou para outubro.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), não escondeu o que aconteceu: “Hoje, houve um movimento bem sucedido da oposição”. E foi direto: “A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6×1. Ponto”. Randolfe garantiu que a votação ocorrerá “até o final de outubro”. “Eu posso garantir a vocês o seguinte: nós iremos votar essa proposta de emenda constitucional a qualquer custo.”
O candidato que larga a campanha para ferrar o trabalhador
O mais revelador da semana é o comportamento de Flávio Bolsonaro. Candidato à Presidência da República, ele interrompeu a campanha nesta terça-feira (1º) para ficar em Brasília e atuar contra o fim da escala 6×1. Ausente da CCJ quando a PEC foi aprovada, Flávio defendeu o pagamento por hora trabalhada e evitou dizer como votaria sobre o texto que acaba com a escala. Ou seja: quer o voto do trabalhador, mas não quer que o trabalhador descanse.
“Acordo individual é assédio ao trabalhador. É falar: Ou é desse jeito ou tu tá fora. E a pessoa que tá precisando desesperadamente vai aceitar. O projeto do PL é pra patrões.”
A aritmética da canalhice
A conta é simples e obscena. Pesquisa citada pela Agência Brasil mostra que 67% dos brasileiros apontam que a escala 6×1 piora a saúde mental. O apoio popular ao fim da jornada é esmagador. A Câmara aprovou a matéria com mais de 400 votos. A CCJ aprovou por 23 a 4. E quatro senadores, com a ajuda de um esvaziamento coordenado, conseguiram adiar o direito de dezenas de milhões de trabalhadores mais pobres por pura politicagem eleitoral.
O deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE) resumiu a luta: “Desde 1995, estou nessa batalha. É hora de aumentar a mobilização e a pressão. Venceremos!”. Randolfe convocou a sociedade: “Os trabalhadores brasileiros têm de se manifestar para pressionar os senadores”. A Frente Livre concorda. A canalhice da oposição não pode vencer. Quem trabalha seis dias para descansar um não pode esperar mais um mês por um direito que já deveria ser seu. Que os senadores que esvaziaram o plenário expliquem ao povo por que defendem a exploração com tanto empenho — e por que o candidato que pede voto do trabalhador é o mesmo que larga a campanha para impedir seu descanso.
🚨 O Flávio Bolsonaro articulou com o senador e coordenador da sua campanha, Rogério Marinho, para travar o fim da escala 6×1 no plenário do senado. Sentem o dedo e COMPARTILHEM ao máximo esse vídeo do Janones.
FLÁVIO INIMIGO DO TRABALHADOR
FIM DA ESCALA 6X1 JÁ
VOTA ALCOLUMBRE pic.twitter.com/Vd2XiaEW24— BRASILULEI (@brasilulei) September 3, 2026
Mais uma vez, o PL bloqueou a votação do fim da escala 6×1 no Senado. Flávio Bolsonaro, um COVARDE que nem deu as caras, articulou com Rogério Marinho para esvaziar o plenário a ponto de não ter quórum pra votar. Com a anuência de Davi Alcolumbre, que enrolou para pautar.… pic.twitter.com/arCsAkbqnf
— Rick Azevedo 5️⃣0️⃣4️⃣4️⃣ (@rickazzevedo) September 3, 2026
🚨🔊Que lapada! O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que quem apoia o fim da escala 6×1 é “burro, leviano e incompetente”. Porém o relator da PEC, Omar Aziz, lembrou o bolsonarista que na Câmara mais de 60 deputados do mesmo partido votaram a favor do texto.
Aziz também… pic.twitter.com/NaGgzui4ap
— Gustavo Veloso (@g_vgouvea) September 2, 2026
Cleitinho irritou o Flávio Bolsonaro, do mesmo partido, ao se manifestar pelo fim da escala 6×1 na CCJ do Senado. Segundo o PL, o Senador de MG foi um dos principais responsáveis por isolar a extrema-direita hoje no Senado, além de se afastar da pecha de traidor dos trabalhadores… pic.twitter.com/zPEUMbE5LN
— donib (@bigdonniz) September 2, 2026
🚨AGORA: “Acordo individual é ASSÉDIO ao trabalhador. É falar: Ou é desse jeito ou tu tá fora. E a pessoa que tá precisando desesperadamente vai aceitar. O projeto do PL é pra PATRÕES”
Fala de OMAR AZIZ, relator do FIM DA ESCALA 6X1 no Senado. pic.twitter.com/MpUar92vSF
— acervo lula (@lulacervo) September 2, 2026
🚨 INIMIGO DO POVO: Alcolumbre traiu o trabalhador de última hora
A CCJ aprovou o fim da 6×1.
O presidente do Senado se entregou de novo ao bolsonarismo e ao setor produtivo.
Não vai pautar no plenário antes do segundo turno.Se o Flávio ganhar, esquece.
Vira escravidão. O… pic.twitter.com/PooAgfQsBb— Só Quem é LULA 2026 (@So_Quem_e_Lula) September 2, 2026
Tivemos uma vitória importante hoje na CCJ do Senado, mas a bancada Bolsonarista e o Flávio Bolsonaro se mobilizaram para impedir a aprovação hoje no Plenário do Senado. Temos que continuar mobilizados para enterrar a escala 6×1! A nossa luta continua! pic.twitter.com/bHJTAEYIKB
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 2, 2026
O Fim da Escala 6×1 passou na CCJ, mas travou no plenário do Senado. E a culpa é de Flávio Bolsonaro. Nós vamos carimbar isso todo dia daqui até as eleições.
FLÁVIO INIMIGO DO TRABALHADOR
FIM DA ESCALA 6X1 JÁ pic.twitter.com/ZS0Q20NK4A— Sérgio Hoff (@sergio_hoff) September 2, 2026






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