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Mendonça cabo eleitoral
Mendonça vira cabo eleitoral de Flávio em plena campanha. Foto: Antonio Augusto/STF
BRASIL

Toga de Mendonça veste a camisa de Flávio no 7 de Setembro

De vídeo de oração a AGU evangélica: a blindagem de Mendonça

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive o maior caso de avacalhação da sua história — e da própria justiça brasileira. Só comparável ao julgamento de Lula pelos fascistas do Paraná, liderados por Sérgio Moro. O protagonista agora é André Mendonça, o ministro “terrivelmente evangélico” indicado ao STF em 2021 pelo ex-presidente golpista Jair Bolsonaro. Com a sucessão de fatos que envolvem sua atuação na Corte, é impossível ignorar: o magistrado intervém seletivamente em inquéritos e tenta influenciar as eleições de 2026. Mendonça virou o maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro.

O ministro é relator de três casos de enorme repercussão política: o inquérito sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a investigação da megafraude do Banco Master e o caso Dark Horse. Os dois últimos estão diretamente ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, preso desde março, acusado de comandar uma das maiores fraudes financeiras do país, com rombo estimado em R$ 52 bilhões.

A coincidência que favorece a manobra

Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo de parte dos autos que continham conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A decisão, cercada de questionamentos jurídicos, veio horas depois de a revista piauí revelar informações que desmentiam a versão apresentada por Flávio sobre os repasses de Vorcaro. Setembro começava com o candidato do Partido Liberal (PL) “nas cordas” — e o ato de 7 de Setembro em risco. A intervenção de Mendonça mudou o jogo.

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Ao se lançar numa surpreendente ofensiva contra Moraes, nêmesis do bolsonarismo, o ministro garantiu nova sobrevida a Flávio, alimentando a narrativa anti-STF. O lema “Fora, Moraes!”, replicado na convocação do 7 de Setembro, ganhou fôlego. A imprensa esqueceu o filho de Lula e trocou de alvo. Jornalões como a Folha de S.Paulo e o Estadão pediram, em editorial, a renúncia de Moraes. A hashtag #EuApoioAndréMendonça viralizou.

O vídeo de oração e a blindagem evangélica

Às vésperas do ato, Mendonça gravou um vídeo em tom religioso e enviou a aliados. “Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, disse. A gravação foi replicada nas redes dos “bolsonaristas mais aguerridos pela campanha de Flávio”. A jornalista Natuza Nery detonou o gesto no programa “Central das Eleições”, da GloboNews: “Eu achei isso uma ‘mão amarela’ demais”. E emendou: “A suspeita dos detratores é que ele fez o que fez para ajudar o Flávio a se eleger. Aí ele grava uma mensagem que é divulgada na rede dos bolsonaristas? Eu achei horrível”.

A blindagem não vem só dos evangélicos das redes. A Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias — também evangélico —, recusou o pedido da Polícia Federal (PF) para apresentar ação contra Mendonça. O órgão classificou a medida como “intervenção processual” e disse que uma ação poderia provocar nulidades nos processos do Banco Master. A aliança religiosa protege quem deveria ser investigado.

A blindagem de Flávio

Enquanto Mendonça invoca a “transparência” para expor informações contra Moraes, as investigações que podem comprometer Flávio seguem submetidas a outro ritmo. Relatório da PF confirmou que, embora haja provas de “atos ilícitos” de outros ministros, Mendonça direcionou a investigação “única e exclusivamente” contra Moraes. Colegas como Dias Toffoli e Nunes Marques foram poupados. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi direta: “Por que André Mendonça sentou em cima desse processo? Por que o sigilo bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro não está quebrado?”.

O ministro não estará no palanque do 7 de Setembro, nem precisará repetir palavras de ordem. Mas sua contribuição ao ato foi central: sentado numa cadeira do STF, ajudou a produzir o ambiente político que o bolsonarismo precisava para sair da defensiva. É a escolha política travestida de procedimento — a toga a serviço do golpismo, como no Paraná de Moro. Que Mendonça seja redistribuído do caso e que a justiça não fique refém de um único ministro.

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