O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo, em seu gabinete no Palácio do Planalto, para cobrar que a investigação sobre o Banco Master alcance todo mundo, “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”. A declaração institucional, divulgada na quinta-feira (3), é a primeira manifestação do presidente sobre a crise que tomou o Supremo Tribunal Federal (STF). E chega no momento exato em que relatórios da Polícia Federal (PF) documentam aquilo que Lula chama de “vazamentos seletivos”: o enviesamento do ministro André Mendonça na condução do caso.
Lula classificou o escândalo como “o maior roubo da história do Brasil”.
“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, afirmou o presidente.
O recado contra a seletividade
Lula foi direto ao ponto.
“O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, declarou.
A frase nomeia exatamente a denúncia que a Frente Livre fez desde o início: o vazamento contra Alexandre de Moraes, liberado por Mendonça no momento em que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) expunha o dinheiro de Daniel Vorcaro para Flávio Bolsonaro, funciona como cortina de fumaça.
“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas”, completou Lula.
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A régua torta de Mendonça
Os relatórios da PF encaminhados a Moraes — e usados por ele para pedir a abertura de investigação contra Mendonça — apontam “indícios crescentes de enviesamento na condução da supervisão judicial”. A corporação documentou a assimetria em números. Uma busca e apreensão envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, foi despachada por Mendonça em nove dias. Material sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) levou 29 dias. E o procedimento envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), aliado da extrema direita, ficou 75 dias parado — quando saiu, o fluminense ficou fora das decisões da PF sobre contratos do governo com fundos ligados ao Master.
O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios.
O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado.
Há suspeita de… pic.twitter.com/hKS5Q5HJks
— Lula (@LulaOficial) September 3, 2026
O alvo estratégico
A PF avalia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), seria um “provável alvo estratégico” de Mendonça: pela força política, pelo favoritismo para seguir na presidência da Casa e pelo controle da pauta, inclusive de pedidos de impeachment de ministros do STF. A divergência é antiga — Alcolumbre foi um dos obstáculos à indicação de Mendonça ao Supremo no governo de Jair Bolsonaro. O relatório mostra ainda que pessoas ligadas ao Master elaboraram o texto de uma emenda enviada à residência de Ciro Nogueira e protocolada no Senado. Vorcaro comemorou a versão final: “Foi a versão. Que o andre me mandou. Final. Saiu exatamente como mandei”.
Enquanto Mendonça acelera contra petistas e engaveta bolsonaristas, a delação que pode enterrar Flávio dorme há mais de duas semanas na gaveta do relator. Fachin deu cinco dias úteis para Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestarem informações. Lula tem razão: investigue-se todo mundo, doa a quem doer. Inclusive — e principalmente — quem dorme na gaveta blindada do relator.






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