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conchavo no STF
Ministro Edson Fachin, presidente do STF, cortou as asinhas tando do terrivelmente bolsonarista André Mendonça como do enrolado Alexandre de Moraes: no fim das contas, o conchavão para salvar todos. Foto: Gustavo Moreno/STF
BRASIL

Conchavo toma o STF: nem Moraes nem Mendonça caem

Fachin tira pedido das fake news e conduz os dois casos

O conchavo previsto pela Frente Livre chegou. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou do inquérito das fake news o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o colega André Mendonça e passou a conduzir pessoalmente os dois procedimentos em que os dois ministros se atacam no caso Master. Deu cinco dias para Mendonça e para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestarem.

Moraes pediu a investigação na quinta-feira (3), citando “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução dos casos Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por parte do terrivelmente bolsonarista André Mendonça. O detalhe constrangedor: o documento usado para embasar a acusação é apócrifo. Não tem cabeçalho da Polícia Federal (PF). Não tem assinatura de delegado. E o próprio texto diz que as afirmações são “análise de cenário” e “sem valor probatório”. Moraes tentou processar o desafeto dentro do inquérito que ele mesmo comanda. Fachin tirou o pedido daquela gaveta — e guardou na sua.

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O conchavo em pessoa

Antes de agir, Moraes fez a lição de casa do velho conchavo. Segundo O Globo, recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por cerca de três horas em sua casa, no Lago Sul, em Brasília, na véspera da decisão. Os relatórios contra Mendonça citam Alcolumbre como “provável alvo estratégico” do relator do caso Master. E o senador retribuiu: foi à tribuna defender Moraes e cobrar o caso Dark Horse. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes?”, questionou.

Alcolumbre também está na lama. Participou, em 2024, de degustação de charutos e uísque promovida por Daniel Vorcaro em Londres. E indicou o dirigente da Amprev, fundo de pensão dos servidores do Amapá que comprou R$ 400 milhões em títulos do Banco Master antes da liquidação. O defensor de Moraes tem o próprio pé atolado no mesmo pântano que diz combater.

A seletividade segue de pé

Enquanto isso, Fachin promete levar o pedido de nulidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao plenário “no momento oportuno”. Ou seja: quando a poeira baixar — ou nunca. O ministro Flávio Dino, indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal, lembra que “o STF é maior do que qualquer um que o integra”. A frase é verdadeira — e é exatamente por isso que Moraes e Mendonça não podem ficar acima da investigação.

O caso Dark Horse, que envolve o candidato Flávio Bolsonaro, segue dormindo sob sigilo na gaveta de Mendonça, com a delação que pode enterrá-lo parada há mais de duas semanas.

A Frente Livre mantém a posição: os dois devem pagar. Moraes deve sair do Supremo pela relação absurda com o banco corrupto. Mendonça deve ser afastado por ter transformado a toga em escudo da campanha presidencial de Flávio. O conchavo é a morte da democracia — e nós não vamos assinar o atestado.

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