Rede neofascista dos EUA infiltra campanha de Flávio

Criada pelo vice de Trump, Rockbridge atua no QG de Flávio; lei proíbe verba externa

Por Redação
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Imagem: FLIA (gerada por IA)

Há uma guerra surda acontecendo. Não tem tanque na rua, não tem bomba caindo — tem data center, tem modelo de linguagem, tem minério. Os Estados Unidos e a China disputam a inteligência artificial como se disputassem um território. E o Brasil, no meio, tem o que um dos lados, o dos ianques, precisa desesperadamente: terra rara. O problema é que, por saber que o adversário tem em abundância o motivo da grande cobiça, esse lado decidiu que o caminho mais curto até o minério brasileiro passa por uma das candidaturas que concorrem à Presidência — não precisa nem dizer qual é. E daí, no afã típico das guerras, pode ter havido, e a gente sublinha o “pode”, o pecado que a legislação eleitoral brasileira classifica como mortal. Daquele tipo inadmissível, punido com pena máxima: dinheiro estrangeiro usado numa campanha presidencial.

A liderança que rachou

Os gigantes americanos da IA estão em pânico. Dario Amodei, da Anthropic, pediu para desacelerar o desenvolvimento: teme que, em 6 a 12 meses, um “enxame” de agentes possa dominar toda a internet. Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis ecoaram o alerta. O motivo não é só ético — é logístico. Os EUA enfrentam limites de energia, demora na construção de data centers, retorno abaixo do esperado. E, no meio disso, os modelos chineses ganham espaço oferecendo custos menores. Tem mais desempenho computacional e exigem menos equipamento para processá-los.

Trump, no domingo, respondeu chamando os alertas de “forças negativas”. “Estamos à frente da China em IA”, disse. “Quem vencer em IA vencerá.” A frase é reveladora menos pelo que afirma e mais pelo que esconde: se os EUA estivessem tão confortáveis na liderança, não precisariam gritar que estão na frente. Quem grita que está na frente está, no mínimo, olhando para trás. Importa muito que Trump seja o idiota que é. Porque o sendo, ele não deu ouvidos sequer às próprias empresas norte-americanas, que clamam por um pé no freio. Nada disso, brava o bufão, pé na tábua!

O prêmio que o Brasil guarda

A inteligência artificial come terra rara. E terra rara, o Brasil tem de sobra. É isso que transforma o país em território de guerra. Não é coincidência que o Rockbridge Network — a rede de financiadores da extrema direita ligada ao Vale do Silício, fundada em 2019 pelo vice-presidente dos EUA, J. D. Vance — tenha como “principal interesse organizar uma infraestrutura mundial para a evolução da IA, incluindo terras raras e data centers”.

O Brasil não é o palco da guerra. O Brasil é o minério da guerra.

A ponte dentro do QG

E a ponte entre a guerra e o Palácio do Planalto passa por dentro do comitê de campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo a denúncia de Renan Santos, dois empresários — Tallis Gomes e Pedro Sang — são representantes da Rockbridge no Brasil e intermediariam os fundos. “Esses caras vieram para o Brasil e saíram oferecendo apoio a várias candidaturas: Flávio, antes tentaram o Tarcísio, e fecharam com o Flávio”, afirmou. “Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente.”

O site Amado Mundo apurou que Pedro Sang atua de fato dentro do comitê de campanha de Flávio em São Paulo, num casarão perto do Parque Ibirapuera. Sang reconheceu ser ligado ao Rockbridge — mas negou ser intermediador de fundos. O QG, que ficava em Brasília, mudou para São Paulo no começo de julho, mais perto da Faria Lima. A Faria Lima, não por acaso, é onde o dinheiro da tecnologia circula.

O documento que fala inglês

A peça mais concreta da trama é um memorando chamado “Prosperity Partnership”, elaborado por André Marinho — candidato do Novo ao governo do Rio e filho do suplente de Flávio ao Senado. O documento, escrito em inglês, descreve como seria a parceria de um potencial governo Flávio Bolsonaro com os EUA para exploração de minerais críticos e terras raras. Propõe o afastamento da China e um alinhamento completo com Washington, lembrando que o tema é “segurança nacional” para os EUA.

Os termos são idênticos ao discurso de Flávio no CPAC deste ano — um discurso que já tinha tom de “pitch” de vendas para investidores. Marinho admite ser o autor, mas nega ter apresentado o documento a estrangeiros. Só que, três semanas depois de redigi-lo, ele esteve nos EUA com J. D. Vance. O encontro foi articulado pelo cunhado, casado com a irmã de Marinho. A coincidência, como sempre, é só mais uma coincidência.

O pecado mortal

E aqui está o ponto que a lei brasileira trata como o mais grave de todos. O advogado especialista em direito eleitoral Fernando Neisser é taxativo:

“A entrada de recursos internacionais em campanha eleitoral no Brasil é absolutamente proibida, seja oriunda de pessoas físicas, cidadãos não brasileiros, seja por meio de empresas.”

E completa: constitui abuso de poder econômico que, se comprovado, leva à ação de investigação judicial eleitoral no TSE — e a condenação, à cassação.

Dinheiro estrangeiro em campanha é o pecado mortal da legislação eleitoral brasileira. É o único crime que pode derrubar uma candidatura inteira. E é exatamente o que a rede do vice-presidente dos EUA, interessada nas terras raras do Brasil, estaria pronta para fazer.

O que falta para fechar o círculo

Sejamos honestos, porque é isso que nos separa do adversário: o elo está documentado — a rede, os representantes dentro do QG, o documento de terras raras, o alinhamento com Vance, a proibição legal. O que ainda não apareceu é a chegada das verbas em si. A denúncia existe, e ela é grave. A prova do dinheiro, até agora, não veio a público.

Mas a pergunta que a campanha não responde é a que importa: por que a rede do vice-presidente dos EUA, cujo interesse declarado é montar a infraestrutura mundial de IA com terras raras, tem representante trabalhando dentro do comitê de um candidato à Presidência do Brasil? Por que o documento de parceria mineral fala inglês e termina numa reunião com Vance? Por que o discurso de Flávio virou pitch de investidor?

A guerra é surda. Mas o minério, esse, é visível. E quem quer o minério costuma querer também o governo que abre a mina.

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