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GEOPOLÍTICA

Vitória de Noboa é contestada por irregularidades e denúncias de fraude

Partido Revolução Cidadã divulgou imagens de atas eleitorais sem assinaturas de autoridades responsáveis, violando o Código da Democracia

O candidato de extrema-direita Daniel Noboa foi declarado vencedor do segundo turno das eleições no Equador, com 55,7% dos votos, contra 44,3% da progressista Luisa González, segundo dados oficiais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) com 92,6% das urnas apuradas. No entanto, a candidatura de González, apoiada pelo movimento Revolução Cidadã, e organizações internacionais denunciam irregularidades no processo eleitoral, incluindo atas não assinadas, manipulação institucional e medidas autoritárias antes da votação.  

As acusações de fraude colocam em xeque a legitimidade do resultado e acendem alertas sobre um possível retrocesso democrático no Equador. O governo de Noboa já decretou estado de exceção na véspera da eleição, restringindo direitos como inviolabilidade domiciliar e correspondência em oito províncias, além de impor toque de recolher em 22 cidades.  

As denúncias de irregularidades  

1. Falhas no processo de apuração  

   – O partido Revolução Cidadã divulgou imagens de atas eleitorais sem assinaturas de autoridades responsáveis, violando o Código da Democracia.  

   – O ex-presidente Rafael Correa afirmou que os resultados são “impossíveis”, já que González manteve a mesma porcentagem do primeiro turno (44%).  

2. Uso de instituições a favor de Noboa  

   – González acusou o CNE e o Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) de atuarem como “instrumentos de campanha” para Noboa.  

   – O estado de exceção, decretado um dia antes da eleição, é visto como uma tentativa de reprimir oposição e controlar o processo.  

3. Reações internacionais  

   – A ALBA-TCP e a Celac Social emitiram comunicados denunciando “fraude premeditada” e “intimidação generalizada”.  

   – A Celac destacou exclusão de observadores internacionais e supressão de votos no exterior.  

   – A Internacional Antifascista classificou o governo de Noboa como um “regime neofascista” imposto por meio de “manipulação institucional”.  

Próximos passos  

– Luisa González anunciou que pedirá recontagem dos votos.  

– Organizações sociais e políticas exigem auditoria independente e mobilização popular contra o que chamam de “golpe eleitoral”.  

– A comunidade internacional, incluindo a Celac, pressiona por investigações transparentes.  

O Equador vive polarização desde o governo de Correa (2007-2017), com embates entre progressistas e setores conservadores. A eleição de Noboa, filho de um banqueiro, pode aprofundar alinhamentos com elites econômicas e políticas de segurança duras.  

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