O cenário político brasileiro está em alerta com a possibilidade de prisão de Jair Bolsonaro (PL) ainda em 2025, devido ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado. Embora o ex-presidente esteja inelegível, ele continua sendo a principal figura da extrema direita no país. A expectativa sobre os impactos dessa prisão nas eleições de 2026 tem gerado intensos cálculos políticos.
Para a cientista política Carolina Botelho, do INCT/SANI/CNPq, a situação jurídica de Bolsonaro deve seguir seu curso sem pressa, e o processo tem seu próprio rito. “O julgamento pode ocorrer a qualquer momento, mas o que importa do ponto de vista jurídico é que o processo tem uma sequência a ser cumprida. O tempo das eleições não interfere diretamente nisso”, explica Botelho. Ela acredita que a preocupação da sociedade com os prazos da justiça pode ser precipitada. “Os políticos fazem seus cálculos, mas o que precisamos é aguardar o processo judicial se desenrolar”, diz.
Por outro lado, o cientista político Cláudio Couto destaca o potencial de mobilização das bases da extrema direita caso Bolsonaro seja preso. “A prisão de uma figura central como Bolsonaro certamente provocaria uma reação de indignação entre seus apoiadores, que provavelmente se mobilizariam”, afirma Couto. Ele observa que, nos últimos anos, a direita tem mostrado uma mobilização mais eficiente do que a esquerda, lembrando que, apesar da grande mobilização no momento da prisão de Lula, essa mobilização não perdurou por muito tempo. “A direita tem mostrado mais capacidade de mobilização, e isso não deve ser subestimado”, analisa.
Couto não descarta a possibilidade de novos acampamentos em defesa de Bolsonaro, semelhantes ao movimento “Lula Livre”. “Esses apoiadores têm disposição para se organizar, como vimos com os acampamentos em frente aos quartéis. Eles poderiam fazer algo semelhante por Bolsonaro, caso ele seja preso”, prevê o cientista político.
Já Carolina Botelho adota uma postura mais cautelosa sobre o impacto de uma possível prisão. “Bolsonaro tem a capacidade de aglutinar apoio, mas é difícil prever se ele geraria uma mobilização em grande escala. Seus apoiadores têm se mostrado leais, mas nem todos estão dispostos a arriscar suas carreiras para transformar Bolsonaro em um mártir”, pondera a cientista política.
Os especialistas também destacam que, caso a prisão de Bolsonaro aconteça fora do período eleitoral, os candidatos da extrema direita terão a liberdade do ex-presidente como uma das principais bandeiras políticas. “Os nomes que surgirem como candidatos da direita vão focar nessa pauta, buscando ganhar apoio popular com a luta pela liberdade de Bolsonaro”, afirma Botelho.
Cláudio Couto, por sua vez, alerta para o fortalecimento da direita no Brasil. “A vitória da esquerda nas próximas eleições depende de como o governo atual se posiciona até 2026. O cenário político está desfavorável para o governo, o que abre espaço para a direita, seja a extrema direita, com maior mobilização, ou uma direita mais convencional”, analisa Couto.
[FUTUROLOGIA POLÍTICA]
| Aspecto | Prisão de Bolsonaro | Impacto nas eleições de 2026 |
|---|---|---|
| Efeito sobre a direita | Mobilização das bases da extrema direita | Potencial para fortalecer a direita e mobilizar eleitores |
| Efeito sobre a esquerda | Difícil prever, mas pode enfraquecer a base do governo | Vitória depende de como o governo se posiciona até 2026 |
| Liderança e herdeiros | Herdeiros políticos de Bolsonaro usarão sua prisão como bandeira | Os candidatos da direita irão defender sua liberdade |
| Mobilização popular | Forte mobilização no momento da prisão, mas difícil de manter a longo prazo | A direita tem mais capacidade de mobilização que a esquerda |
Fonte: Brasil de Fato






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