A Advocacia-Geral da União (AGU) soltou uma nota nesta quinta-feira (26) para botar os pingos nos “is”: apesar da nota oficial que nega uma decisão final de recorrer, a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já cravou que a derrubada do aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pelo Congresso é “flagrantemente inconstitucional”. E por que é inconstitucional? Porque a Constituição Federal atribui ao Poder Executivo a prerrogativa de ajustar a alíquota do IOF, sem que isso dependa de aprovação legislativa. O que o Congresso fez foi uma invasão de competência, um ato ilegal que desafia a ordem democrática.
A relevância dessa afronta é gritante: trata-se de um abuso de poder por parte do Congresso, que, ao derrubar um decreto que é de atribuição exclusiva do Executivo, não só cria um imbróglio jurídico sem precedentes – o primeiro decreto presidencial derrubado em 30 anos! – mas também joga a conta do equilíbrio fiscal nas costas dos mais vulneráveis. O que Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, classificou como “pauta produtiva” e “sintonizada com a população” é, na verdade, um golpe contra a autonomia presidencial e uma manobra para proteger os interesses dos setores que seriam, minimamente, mais taxados, em detrimento das políticas sociais.
A farsa do “diálogo” e a batalha pelo equilíbrio fiscal
Apesar da nota da AGU de que “não há qualquer decisão tomada” sobre a judicialização do tema e que a comunicação seria feita “exclusivamente pelo próprio advogado-geral”, a declaração de Haddad é um aviso claro: o governo não vai aceitar passivamente essa ilegalidade. Haddad foi enfático ao defender o direito do Executivo de recorrer ao Supremo, afirmando que “nem nós devemos nos ofender quando um veto é derrubado e nem o Congresso pode se ofender quando uma medida é considerada pelo Executivo incoerente com o texto constitucional”. Essa é a essência da defesa da separação dos Poderes e do respeito às competências.
A derrota do governo na Câmara, com um placar de 383 votos a 98, e a posterior derrubada relâmpago no Senado, articulada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), evidenciam uma aliança perigosa no Congresso. Uma aliança que se articula para desestabilizar a arrecadação e, de forma hipócrita, cobra “cortes de despesas primárias” enquanto ignora as medidas que poderiam equilibrar as contas sem penalizar o povo.
O governo argumenta, e a Frente Livre corrobora, que o aumento do IOF proposto no decreto atingiria, sobretudo, o “andar de cima”, incluindo apostas eletrônicas (bets) de 12% para 18%, fintechs de 9% para 15% (igualando-as aos bancos tradicionais) e a taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que hoje são isentas de Imposto de Renda. São medidas que buscam uma justiça fiscal, cobrando de quem mais pode. A recusa do Congresso em aprovar essas medidas, aliada à insatisfação com o ritmo de liberação de emendas parlamentares e a acusação de que o governo se “dobra” ao Supremo, revela a real motivação: poder e barganha política, não o bem-estar do povo.
Haddad foi explícito: se a derrubada do decreto for mantida, o governo terá que buscar receitas na taxação de dividendos(lucros pagos a acionistas) ou na “questão do petróleo”. Caso contrário, a única opção serão os cortes no orçamento, que “vão pesar para todo mundo. Vai faltar recurso para a saúde, para a educação, para o Minha Casa, Minha Vida. Não sei se o Congresso quer isso”, alertou o ministro.
Essa disputa em torno do IOF não é apenas técnica; ela define quem pagará a conta dos R$ 20,5 bilhões necessários para cumprir a meta fiscal de 2025. É a velha batalha entre os interesses do capital e as necessidades sociais. O Congresso, ao atuar ilegalmente, tenta forçar o governo a sacrificar políticas sociais essenciais.
[Choque de poderes e o impacto no povo]
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Aspecto |
Posição do Poder Executivo (Lula/Haddad) |
Ação do Poder Legislativo (Congresso/Hugo Motta) |
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Atribuição Constitucional |
Ajustar alíquota do IOF (prerrogativa do Executivo). |
Derrubar decreto de IOF (invasão de competência). |
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Legalidade do Ato |
Constitucional. |
Inconstitucional (flagrante). |
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Motivação do Aumento |
Equilíbrio fiscal, taxar “andar de cima” (bets, fintechs, LCI/LCA). |
Cobrança de cortes em despesas primárias, insatisfação com emendas. |
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Quem Paga a Conta |
Taxação de setores mais ricos e lucros/dividendos. |
Risco de cortes em saúde, educação e Minha Casa, Minha Vida. |
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Diálogo com a População |
Medidas que buscam justiça fiscal e proteção social. |
Discurso de “sintonia” vs. proteção de setores específicos. |
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Consequência |
Recurso ao STF, busca por outras fontes de receita. |
Desestabilização fiscal, aumento da polarização, prejuízo social. |
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Fonte: Agência Brasil






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