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BRASIL

Veredito popular levanta Lula e balança poder de Bolsonaro

Pesquisa IPESPE revela avanço do presidente na 'presidenciabilidade' e o paradoxo de Bolsonaro: líder, mas sem apelo para o Palácio

Nova pesquisa “Pulso Brasil” do IPESPE, divulgada hoje (2), traz à tona um cenário político em plena ebulição, com significativas alterações na percepção de “presidenciabilidade” das principais figuras nacionais. O levantamento, crucial para entender os movimentos futuros na arena eleitoral, aponta para uma consolidação da imagem do presidente Lula como um potencial bom gestor do país, ao mesmo tempo em que expõe um declínio vertiginoso na aceitação de Jair Bolsonaro para o cargo, apesar de sua permanência como líder indiscutível da direita.

Realizada entre 19 e 22 de setembro de 2025, a pesquisa utilizou uma metodologia híbrida, combinando entrevistas telefônicas (CATI) e online (CAWI), com uma amostra representativa de 2.500 brasileiros com 16 anos ou mais. O rigor metodológico, com uma margem de erro de dois pontos percentuais, confere robustez aos resultados, que avaliam a “presidenciabilidade” – um poderoso indicador do apelo de um candidato, que sintetiza percepções sobre competência, preparo, integridade e capacidade de articulação, conforme destacado pelo cientista político Antonio Lavareda, presidente do IPESPE, no próprio estudo.

A relevância deste levantamento reside na sua capacidade de antecipar tendências e contextualizar o debate sobre o futuro do Brasil, principalmente em um período pré-eleitoral que já se mostra aquecido.

O estudo revela uma notável escalada na percepção positiva de Lula. Entre maio e setembro, a proporção de brasileiros que acreditam que ele “seria um bom presidente” cresceu de 39% para expressivos 47%. Consequentemente, o presidente registra o menor saldo negativo entre todos os nomes avaliados, passando de -17% em maio para um quase nulo -3% em setembro.

Essa recuperação de imagem é um sinal claro da aprovação crescente de seu governo e da adesão popular à sua agenda, consolidando sua posição como uma força central e estável no cenário político, em sintonia com os anseios de um segmento democrático e progressista da sociedade. A capacidade de Lula de manter um diálogo eficaz com as bases e de responder às demandas sociais parece ser um fator determinante para essa ascensão contínua, fortalecendo a confiança no projeto político que representa.

Em contrapartida, o cenário para Jair Bolsonaro é de acentuada deterioração em sua “presidenciabilidade”.

Se em março de 2025, 40% o consideravam um bom presidente, esse percentual despencou para 30% em maio e atingiu um mínimo de 20% em setembro. Seu saldo negativo, que já era preocupante em março (-17%), aprofundou-se dramaticamente para -33% em maio e alarmantes -54% em setembro.

Essa queda vertiginosa é um reflexo direto de uma série de fatores, incluindo o impacto das decisões judiciais como a condenação pelo STF, que parece ter corroído sua imagem como um líder apto a governar, distanciando-o de um eleitorado mais amplo e moderado. A persistência de um discurso polarizador e a incapacidade de angariar apoio fora de sua base mais fiel contribuem para essa rejeição cada vez mais evidente.

Apesar da derrocada em sua “presidenciabilidade”, Bolsonaro mantém uma posição singular e paradoxal: ele ainda é o principal representante da direita no país.

O relatório aponta que, mesmo após sua condenação, 45% dos entrevistados o identificam como o líder dessa corrente ideológica, uma oscilação mínima de apenas um ponto percentual desde julho. Entre os próprios eleitores que se declaram de direita, esse índice sobe para impressionantes 63%.

Este dado evidencia algo crucial: embora a população em geral não o veja como um bom presidente, sua base ideológica e uma parcela significativa do eleitorado de direita ainda o reconhecem como seu principal porta-voz.

Tal fenômeno cria uma tensão no campo bolsonarista, que precisará conciliar a força simbólica de seu líder com a necessidade de apresentar um nome viável para futuras disputas presidenciais. A pesquisa também lança luz sobre outros nomes.

Tarcísio de Freitas, por exemplo, embora longe de Bolsonaro na liderança da direita (13%), é o segundo com menor saldo negativo em “presidenciabilidade” (-17% em setembro), sugerindo um potencial de trânsito em diferentes espectros ideológicos maior do que outros nomes associados diretamente ao bolsonarismo.

Contudo, outros pré-candidatos como Michelle Bolsonaro (-36%), Romeu Zema (-34%) e os filhos de Bolsonaro, Eduardo (-53%) e Flávio (-61%), enfrentam saldos negativos ainda mais acentuados, indicando a dificuldade em construir um apelo popular e transversal.

Essa performance reforça a tese de que a direita tem um desafio gigantesco para além da figura de seu líder atual, precisando de nomes que possam dialogar com o centro e com as camadas populares sem as rejeições associadas ao ex-presidente.

A análise por posição ideológica autodeclarada pelos entrevistados corrobora a polarização extrema. Lula alcança 93% de aprovação entre os eleitores de esquerda para “seria um bom presidente”, mas apenas 11% entre os de direita.

Inversamente, Bolsonaro é apoiado por 72% da direita, mas apenas por 1% da esquerda.

Esse abismo ideológico demonstra a fragilidade da construção de consensos e a dificuldade de diálogo entre as diferentes vertentes políticas, impactando diretamente a governabilidade e a busca por soluções para os desafios nacionais. É um cenário que demanda uma reflexão profunda sobre os caminhos para a superação das divisões que tanto têm custado ao país, com um imperativo pela união em torno de pautas populares e democráticas.

Quando segmentados por classe social, os resultados revelam que Lula mantém um apoio consistente e transversal, com 51% de aprovação entre os mais pobres e 50% na classe média.

Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, por sua vez, demonstram maior apoio nas classes mais abastadas (46% em cada na categoria “Rico”) e na classe média (37% em cada), com menor aceitação entre os mais pobres (27% para ambos).

Essa distribuição do apoio popular por extratos sociais é um dado fundamental para a compreensão das bases eleitorais e da eficácia das mensagens políticas, indicando onde cada campo ideológico tem maior penetração e qual o perfil do eleitorado que precisa ser conquistado para ampliar o leitorado e fortalecer o projeto democrático.


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