O cenário político brasileiro de olho em 2026 está em plena efervescência, e os dados mais recentes do “Índice Datrix dos Presidenciáveis” (IDP) de setembro de 2025 lançam luz sobre as complexas dinâmicas de poder e popularidade digital. A pesquisa, que avalia a performance de potenciais candidatos nas redes sociais e na imprensa, mostra uma inequívoca consolidação da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que aponta para movimentos importantes no campo da direita, com as ascensões notáveis de Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. Em contraste, figuras antes proeminentes como Tarcísio de Freitas recuam, enquanto nomes ligados ao bolsonarismo continuam a enfrentar resistências para além de suas bases mais engajadas.
Para compreender a relevância desses movimentos, é fundamental mergulhar na metodologia do Índice Datrix, uma ferramenta de inteligência digital que se propõe a medir a “presidenciabilidade” a partir de três eixos cruciais. Primeiro, as Redes Próprias, que medem o engajamento direto e a capacidade de mobilização da base de um político. Segundo, o Mar Aberto (Stakeholders), que reflete a reputação e a repercussão para além do círculo de apoiadores, envolvendo jornalistas, influenciadores e veículos de imprensa, um termômetro vital da aceitação em uma esfera mais ampla e democrática. E, por fim, a Tonalidade, que classifica o sentimento geral das menções como positivo, negativo ou neutro.
Em um ambiente cada vez mais digitalizado, esses indicadores se tornam bússolas essenciais para decifrar a aceitação popular e os caminhos que se abrem para os projetos políticos que representam um futuro mais justo e equitativo para o Brasil.
A principal notícia de setembro para o campo progressista é a manutenção da liderança de Lula no IDP, alcançando 26,6 pontos. Essa estabilidade não é obra do acaso; o presidente viu sua performance digital ser robustecida pela mobilização em torno dos programas sociais que têm impactado positivamente a vida de milhões de brasileiros, além de uma leitura de “pragmatismo diplomático” em sua aproximação com Donald Trump, o que contribuiu para uma melhora significativa em seu “mar aberto” (de -0,14 para 2,29).
Esse resultado demonstra a solidez do governo Lula e a ressonância de suas políticas entre o povo, reafirmando um projeto de país com inclusão e desenvolvimento social. É um reconhecimento do esforço contínuo em defender os interesses populares e fortalecer a soberania nacional, mostrando que a agenda de direitos e cidadania ganha cada vez mais espaço no cenário digital e na percepção pública.
[E A DIREITA?]
Enquanto Lula consolida sua posição, o campo da direita assiste a uma série de movimentos que indicam uma possível reconfiguração interna. Ronaldo Caiado, governador de Goiás (União Brasil), protagonizou a maior ascensão do mês, com um salto impressionante de 84%, alçando-o à segunda posição no índice. Sua projeção foi impulsionada por uma forte defesa da anistia para os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e por críticas ao que chamou de “governo de marketing” de Lula. O crescimento de Caiado é ainda mais notável em “mar aberto”, passando de -1,30 para 12,12, sinalizando uma crescente aceitação fora de sua base mais imediata, o que o posiciona como um nome que busca ampliar o diálogo com setores mais moderados da sociedade.
Outro nome que surpreendeu foi Ratinho Júnior, governador do Paraná (PSD), que subiu 56% e entrou para o top 3. Seu avanço se deve, em grande parte, ao apoio estratégico do Centrão, ao respaldo público de figuras como Gilberto Kassab e à avaliação positiva de sua gestão no estado, com menções a programas como “Bonde Digital” e o crescimento do PIB paranaense. O crescimento de 22% em suas “redes próprias” (de 10,6 para 13,0) complementa essa ascensão, indicando uma habilidade de mobilização e um discurso que tem encontrado eco em parte do eleitorado. Esses avanços indicam uma busca por novas lideranças dentro da direita, além dos nomes já desgastados, que possam oferecer um contraponto ao projeto democrático e popular do governo atual.
Em contrapartida, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo (Republicanos), enfrentou um mês de recuo expressivo, caindo 16% no IDP e mantendo uma imagem negativa em “mar aberto” (-6,4). A indefinição sobre sua candidatura presidencial – após anunciar a intenção de buscar a reeleição em São Paulo, mas sem encerrar totalmente o debate sobre uma possível disputa ao Palácio do Planalto – somada a críticas à sua gestão em crises estaduais e à percepção de “ausência” como governador, impactaram negativamente sua popularidade digital.
Essa queda abre um vácuo no espectro conservador, oferecendo espaço para Caiado e Ratinho Júnior se consolidarem, o que pode fragmentar ainda mais a já complexa base de oposição. A incapacidade de Tarcísio de Freitas de construir uma narrativa clara e consistente fora de sua base inicial de apoio expõe as dificuldades de um projeto que tenta se dissociar das amarras do bolsonarismo.
Nomes diretamente ligados ao bolsonarismo também apresentam um quadro de oscilações e desafios. Michelle Bolsonaro registrou uma recuperação de 96% em visibilidade, impulsionada pelo forte engajamento de sua base, mas sua trajetória continua instável, com uma queda de 11% em suas “redes próprias” que revela a falta de constância. Eduardo Bolsonaro cresceu 17% em “redes próprias”, mas sua imagem em “mar aberto” permanece negativa (-8,1), pressionada por críticas à sua postura, conflitos familiares expostos na imprensa e a tramitação de processo de cassação de seu mandato.
Esses dados demonstram a dificuldade do bolsonarismo em transcender sua “bolha” digital e conquistar um apoio mais amplo e popular, uma barreira que se mostra cada vez mais desafiadora em um cenário que exige diálogo e moderação.
Para o campo democrático e progressista, a análise do Índice Datrix de setembro de 2025 oferece um panorama de otimismo e, ao mesmo tempo, um alerta para a vigilância. A consolidação da liderança de Lula no ambiente digital, impulsionada por políticas sociais e uma diplomacia ativa, reforça a força de um governo comprometido com o povo.
Contudo, a ascensão de figuras como Caiado e Ratinho Júnior na direita indica que a oposição busca novas estratégias e rostos para tentar se contrapor a esse projeto. A fragmentação e os desafios enfrentados pelos nomes mais alinhados ao bolsonarismo abrem espaço para um debate mais amplo e a possibilidade de construir pontes com setores que buscam um caminho de menos polarização e mais construção para o Brasil.
VEJA A PESQUISA COMPLETA






Deixe seu comentário