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PMDF agride manifestantes contra o genocídio em Gaza

Polícia usou spray de pimenta, cassetetes e deteve três pessoas durante manifestação nesta terça (7) em Brasília

Um ato pacífico em solidariedade ao povo palestino foi violentamente reprimido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na manhã desta terça-feira (7), em Brasília. Durante a manifestação, que marcava dois anos da escalada genocida em Gaza, policiais militares usaram spray de pimenta, cassetetes e força física para dispersar os participantes. Três manifestantes foram presos e diversos outros relataram agressões, incluindo contra pessoas idosas.

De acordo com os relatos, a PM-DF interrompeu a mobilização exigindo a retirada de máscaras (na verdade, tradicionais kufiyas palestinas) e iniciou a repressão. “Eu tava bem na frente, então peguei muito spray de pimenta na cara. Eles bateram em todo mundo. Quando fizemos um cordão de proteção, a polícia partiu pra cima”, contou Victor Silva, estudante da Universidade de Brasília (UnB).

O estudante também denunciou a prisão de três ativistas. “Levaram três companheiros nossos presos e bateram muito neles”. As três pessoas já foram liberadas.

Pedro Batista integrante do Comitê Anti-imperialista Abreu e Lima detalhou as agressões. “Uma companheira idosa de Goiânia, teve os óculos quebrados e precisou ir embora depois da violência. Foi muito brutal.” Segundo Batista, alguns dos presos e agredidos são ativistas também de outros estados como Goiânia e Belo Horizonte.

Manifestante exibe marcas de agressão. Foto: Jornal A Nova Democracia

A manifestação organizada por coletivos e comitês de solidariedade à Palestina teve início às 9h, em frente à Embaixada dos Estados Unidos, e seguiu para o Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, por volta das 11h. Os manifestantes protocolaram um abaixo-assinado exigindo o rompimento imediato das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com Israel, em resposta à continuidade do genocídio palestino em Gaza.

Segundo as organizações, a ação visava pressionar o Governo Federal por uma posição mais concreta e ativa frente à ofensiva militar israelense, que completa dois anos em sua fase mais recente e letal.

Em nota ao Brasil de Fato DF, a Polícia Militar disse que um homem com o rosto coberto foi visto em meio aos manifestantes manuseando uma pochete e que recebeu informações de que havia uma faca no acessório. “A equipe policial solicitou que o suspeito descobrisse o rosto e que mostrasse o que tinha na pochete. Ele se negou e insuflou os manifestantes contra os policiais, e o grupo tentou impedir a revista do cidadão”, diz trecho da nota sobre o ocorrido.

A PMDF informa também que apesar de uma negociação para liberar a linha de contenção da manifestação para revista, uma pessoa avançou sobre os policiais e teve início uma briga generalizada “com agressões aos policiais”. “O homem com o rosto coberto foi detido, mas sem a pochete que ele se desfez durante a fuga. O trio foi encaminhado à 5ª DP, para o registro da ocorrência, em razão das agressões. A pochete foi localizada ao solo momentos depois, mas já vazia”, finaliza a nota.

Dois anos de genocídio

A mobilização marcou os dois anos da nova fase do genocídio em Gaza, que começou em 7 de outubro de 2023, com bombardeios e ofensivas militares israelenses que já deixaram dezenas de milhares de mortos, em sua maioria civis. Mesmo após inúmeras denúncias de crimes de guerra e violações do direito internacional, o governo brasileiro continua mantendo relações diplomáticas e comerciais com Israel, incluindo a importação de tecnologia militar.

Organizações como o Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, Frente Palestina Livre, Instituto Brasil Palestina (Ibraspal) que junto a outros coletivos que mobilizaram o ato, destacam que o Brasil precisa assumir uma postura de ruptura clara com o regime sionista israelense, como já fizeram países como Bolívia e Colômbia.

“A gente veio aqui mostrar que o povo brasileiro não está mais disposto a aceitar a conivência do Estado com esse massacre”, explica o estudante da UnB Victor Silva. “O mínimo que esperamos é o rompimento imediato das relações.”

“Essa truculência é mais um reflexo do quanto a solidariedade à Palestina é criminalizada, mesmo quando se manifesta de forma pacífica”, destaca Pedro Batista.

Fonte: Brasil de Fato

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