A diretoria do Banco Central do Brasil (BC) está reunida estudando a possibilidade de federalizar o Banco Regional de Brasília (BRB), retirando a instituição do controle do Governo do Distrito Federal. A informação é do jornalista Luís Costa Pinto, em primeira mão, no programa ICL Notícias no YouTube.
A federalização do BRB funcionaria como uma intervenção federal para tirar o banco da gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Essa estratégia foi amplamente utilizada durante o Plano Real, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), quando quase todos os bancos estaduais brasileiros foram federalizados. O BRB foi um dos raros sobreviventes daquele processo.
O capitalismo de compadrio em Brasília
Segundo Luís Costa Pinto, o BRB “virou o grande banco do capitalismo de compadrio de Brasília”. O jornalista aponta que a instituição é “sócio de todas as operações privadas, entre aspas, de privatizações e PPPs” na capital federal.
O exemplo mais emblemático é a relação do BRB com o Flamengo. Conforme revelado por Costa Pinto, “o BRB é o maior parceiro do Flamengo, que é um time do Rio de Janeiro, e é o operador do cartão de crédito Flamengo. Esse cartão FLA é hoje um dos três maiores cartões de crédito do país, operado pelo BRB, e há um custo muito elevado para o BRB”.
Mais grave ainda: quem detém as lojas da marca Flamengo no Distrito Federal é o filho de Ibaneis Rocha, que será candidato a deputado distrital em 2026. Essa sobreposição de interesses privados e públicos exemplifica o modelo de capitalismo de compadrio que o jornalista denuncia.
Histórico do BRB: de banco estruturado a instrumento político
O BRB foi organizado e estruturado durante o governo de Rodrigo Rollemberg (2015-2018), que antecedeu Ibaneis Rocha. Segundo Costa Pinto, Rollemberg “entregou ao então novo governador Ibaneis um banco pequeno, um banco com poucos horizontes, mas um banco estruturado, que sobrevivia”.
Sob a gestão de Ibaneis, a instituição se transformou. De um banco regional modesto, tornou-se instrumento central de operações financeiras que beneficiam aliados políticos do governador. O padrão de operações envolve privatizações, PPPs (Parcerias Público-Privadas) e exploração de setores como eventos em Brasília.
Contexto: escândalo do Banco Master
A possível federalização do BRB ocorre em contexto de crise no setor financeiro. O Banco Central decretou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master, após a Polícia Federal prender Daniel Vorcaro, dono da instituição, por fraude de R$ 12 bilhões em títulos de crédito falsos.
O BRB estava envolvido na tentativa de compra do Banco Master. Em março de 2025, o banco anunciou a aquisição de 58% das ações do Banco Master em operação estimada em R$ 2 bilhões. Porém, o Banco Central rejeitou a compra em setembro de 2025, citando preocupações regulatórias.
Investigações revelaram que o BRB havia adquirido títulos de crédito do Banco Master que agora estavam sendo alvo de inquéritos por fraude. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo após a operação da PF.
Federalização como precedente histórico
A federalização do BRB seguiria modelo implementado durante o Plano Real. Naquele período, quase todos os bancos estaduais brasileiros foram federalizados, com exceção de poucos sobreviventes como o BRB.
Segundo Luís Costa Pinto, a federalização seria “uma intervenção federal para tirar o banco da mão do Ibanez”.
Investigações e pressão regulatória
O Banco Central tem aumentado a pressão regulatória sobre instituições financeiras após o escândalo do Banco Master. A operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou fraudes sistêmicas no sistema financeiro, levando o BC a reavaliar suas políticas de supervisão.
A possível federalização do BRB reflete essa mudança de postura. O BC busca remover instituições financeiras de controles políticos estaduais que possam comprometer a integridade do sistema financeiro nacional.
Próximos passos
Conforme informado por Luís Costa Pinto, a decisão sobre federalização do BRB “depende de uma série de decisões, de avaliações”. A diretoria do Banco Central continua reunida estudando a viabilidade técnica e legal da intervenção.
Caso aprovada, a federalização representaria mudança significativa na estrutura de governança do BRB e removeria a instituição do controle do Governo do Distrito Federal, encerrando décadas de gestão política estadual sobre o banco.






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