O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, nesta terça-feira (30), que a greve dos trabalhadores dos Correios foi legal e não abusiva, garantindo a manutenção de benefícios históricos da categoria. Na mesma decisão, no entanto, o tribunal deu uma vitória à estatal ao autorizar o desconto dos dias parados, determinando o retorno imediato dos funcionários ao trabalho.
A decisão da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) representa uma vitória crucial para os trabalhadores ao preservar cláusulas como o adicional de 70% sobre as férias e o pagamento de 250% para trabalho em fins de semana e feriados. A direção dos Correios defendia o corte desses benefícios como parte de um plano de redução de custos. Para o TST, a greve seguiu os parâmetros legais, incluindo a manutenção de 80% do efetivo em atividade.
Apesar de validar o movimento, o tribunal atendeu ao pedido da empresa para descontar os dias de paralisação dos salários dos grevistas. O abatimento será feito em três parcelas mensais. As entidades sindicais devem agora realizar assembleias para decidir os próximos passos.
A greve, iniciada em 16 de dezembro com a adesão de 12 das 36 entidades sindicais, reivindicava um novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com reposição da inflação e a manutenção dos direitos. A paralisação atingiu nove estados e causou atrasos em entregas em todo o país, especialmente durante o período de compras de fim de ano.
Durante o julgamento, os advogados da estatal argumentaram que a empresa enfrenta uma grave crise financeira, com prejuízos acumulados desde 2023. O plano de reestruturação dos Correios prevê um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para até 15 mil funcionários e a busca por um aporte de R$ 12 bilhões via crédito bancário para se manter em operação.






Deixe seu comentário